Massa, emocionado, revela visita a Schumacher: ‘É muito triste’

Horas antes de sua despedida do autódromo de Interlagos e do GP do Brasil de Fórmula 1, Felipe Massa concedeu entrevista à Rede Globo na tarde deste domingo e, em meio à emoção ao rever os grandes feitos de sua carreira, falou sobre sua relação com Michael Schumacher. O brasileiro citou o alemão como um “professor” durante sua passagem pela Ferrari e revelou que já visitou o heptacampeão, que se recupera de um grave acidente de esqui desde o fim de 2013.

“Ele está em fase de recuperação. Lógico que o que ele teve foi um acidente muito grave e a gente sabe que quando as coisas não aparecem é porque não querem mostrar exatamente a realidade. O acidente foi muito grave e é uma tristeza pela pessoa que ele era  e o tanto que ele arriscou na vida. Numa bobagem aconteceu isso. Agora é difícil responder exatamente como ele está, a situação perfeita. O tempo passa e não é facil se recuperar de uma lesão como esta”, contou Massa ao narrador Galvão Bueno.
Em outubro, reportagem de VEJA viajou a Suíça, ouviu pessoas próximas a Schumacher e mostrou como a família mantém em sigilo a situação do maior campeão da história da Fórmula 1, que se recupera de um grave acidente de esqui, em sua mansão, na Suíça.

Chefe da Receita na Lava Jato denuncia 'desmonte'



Roberto Leonel, chefe de inteligência da Receita na Lava Jato, enviou a Deltan Dallagnol uma carta em que denuncia o "desmonte" da Receita Federal a partir das mudanças aprovadas pela Câmara do projeto de lei 5864/2016, que trata da carreira dos auditores fiscais.
Segundo Leonel, "se aprovado nos exatos termos na parte não remuneratória, pode abrir margem a uma indesejável ingerência política, catastrófica para uma instituição respeitável e tão necessária para a sociedade".
Leonel, servidor de carreira há 31 anos, comanda o Escritório de Pesquisa e Investigação (Espei) da 9.ª Região Fiscal, sediada em Curitiba, base da Lava Jato. Cabe à essa área de Inteligência da Receita todo o levantamento técnico/contábil da operação.
Para o auditor, o substitutivo do projeto original "poderá trazer, em caráter específico à Lava Jato, reflexos concretos de descontinuidade do nosso trabalho de investigação e, até, de impedimento de atendimento tempestivo das demandas da Justiça Federal que vimos realizando já há três anos".

A polícia que tortura e mata



Uma mensagem de áudio enviada pelo celular do adolescente Jonathan Moreira, 18 anos, revela uma suposta abordagem policial a um grupo de amigos que participaria de uma festa com mulheres organizada pelas redes sociais. Horas depois, um Santana 1987 com cinco rapazes com idades entre 16 e 30 anos, Jonathan entre eles, desaparece. Após 16 dias, o veículo é achado às margens do rodoanel Mário Covas, em São Paulo. Os corpos, encontrados no domingo 6, em estado avançado de decomposição, indicam uma ação semelhante às que normalmente são praticadas por grupos de extermínio. Um dos garotos tinha as mãos amarradas e algemadas, outro estava com a cabeça decapitada, todos possuíam marcas de tiros no tórax e estavam cobertos com terra e cal próximos a estrada do Taquarassu, em Mogi das Cruzes. Além disso, cartuchos de pistola calibre .40, de uso restrito de policiais, foram localizados num terreno próximo. E mais: registros mostram que agentes da corporação consultaram dados de dois dos cinco jovens. “Não dá para negar que houve execução”, afirmou Júlio César Fernandes Neves, ouvidor das polícias de São Paulo. A sofisticação usada pelos autores do crime – que vai da atração dos garotos à festa até a forma com que foram mortos – permite dizer que os assassinatos foram orquestrados por um grupo que agiu de forma organizada, rebuscada e cruel. “Trata-se de uma chacina e o nosso medo é que continue com a autoria desconhecida”, diz.
Trata-se de uma chacina e o nosso maior medo
é que continue com a autoria desconhecida”

Júlio César Neves, ouvidor de polícia
Intimidação
Apesar de a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo negar a existência de provas que indiquem o envolvimento de policiais nas mortes, um garoto de 13 anos, parente de um dos jovens mortos, afirmou ter sido ameaçado por policiais durante quatro horas. Na segunda-feira 7, eles teriam circulado pelo bairro em que as vítimas moravam, Jardim Rodolfo Pirani, e encostado um revólver na cintura do adolescente. Dois policiais faziam uma varredura de celulares pelas ruas, em busca do áudio gravado por Jonathan. O jovem teve seu aparelho confiscado e quando os policiais viram fotos de um dos mortos conduziram o menino até uma viela do bairro – até que uma tia interrompeu a abordagem. Segundo o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), as intimações são suficientes para configurar assédio às famílias. Os familiares de Jones Ferreira Januário, 30 anos, César Augusto Gomes, 19 anos, Caíque Machado, 18 anos, Robson de Paula, 16 anos e Jonathan temem se tornarem alvo de represália. “Existem sinais da atuação de um grupo de extermínio agindo à revelia do comando da polícia”, afirma Ariel de Castro Alves, advogado e membro do Condepe.
Um dos fatores que favorece a formação desses grupos é a impunidade em casos de violência policial. Dados do 10º Anuário Brasileiro de Segurança Pública revelam que pelo menos nove pessoas foram mortas a cada dia por policiais em 2015. São Paulo aparece na liderança dessa estatística, com 848 vítimas. No mesmo ano, apenas 124 policiais foram recolhidos para o presídio militar Romão Gomes. Destes, 34 por homicídio. “Mesmo nos casos em que há participação de policiais comprovada, eles não são punidos”, afirma Alves. Esse tipo de crime mostra que há autorização para o uso de práticas violentas dentro das instituições. “Existe um resquício do período ditatorial que permite que forças marginais ajam dentro do poder”, diz o ouvidor Neves. Para ele, a recente decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo que determinou a anulação da condenação dos 74 policiais militares acusados pela morte dos detentos do presídio do Carandiru é um exemplo que incita a ação de grupos criminosos.
Os corpos de Caíque e César foram reconhecidos por impressões digitais. Jonathan, por meio de arcadas dentárias. O cadeirante Robson foi identificado pelo Instituto Médico Legal (IML). Em 2014, ele foi baleado por PMs e ficou paraplégico. Os jovens tinham em comum a vida pobre na periferia e a passagem pela polícia. No bairro em que viviam, a violência faz parte da rotina dos moradores. “A sociedade aprova esse tipo de comportamento porque não acredita na justiça comum”, afirma Rafael Alcadipani, membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. “Surge a vontade de fazer justiça com as próprias mãos. Se não é réu primário, parece que se tem licença para matar.” Apenas Jones, o mais velho, não havia cometido nenhum delito. “Percebi que ele estava sumido quando os parentes dos garotos chegaram em casa para começarmos a busca”, diz a esposa Eliane Souza.
O caso é investigado pelo Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), com um inquérito instaurado pela Corregedoria da Polícia Militar. O ouvidor das polícias de São Paulo reconhece que são poucos os casos de policiais julgados em São Paulo. “Ainda mais raros aqueles que se tornam réus e são condenados”, diz. A impunidade dá o aval para aqueles que agem apenas puxando o gatilho de uma arma. “Há uma cultura de leniência com as execuções. Quando existem indícios da participação de agentes de segurança, acontece o acobertamento ou o abandono das investigações”, afirma Átila Roque, diretor executivo da Anistia Internacional.

Crime no Paraíso: assassino ficou à espreita de ex por 2 horas

A Polícia Civil de São Paulo levantou novas evidências de que a empresária Edna Amaralina da Silveira, de 28 anos, foi morta a tiros pelo ex-namorado Hugo Alexandre Gabrich, que continua foragido e é apontado como o principal suspeito do caso. O crime aconteceu no apartamento onde ela morava, no Paraíso, Zona Sul de São Paulo, na madrugada do último sábado.
Imagens gravadas por câmeras de segurança do prédio, às quais o SPTV, da Rede Globo, teve acesso, mostram que o suspeito entrou no prédio e ficou escondido por duas horas na escada, esperando o melhor momento para abordar a ex-companheira. Ele tinha a chave da entrada principal do edifício, que não tem portaria. A oportunidade surgiu quando um entregador de bebida subiu ao apartamento dela. Segundo a polícia, Gabrich o rendeu e o obrigou a tocar a campainha e, quando ela apareceu na porta, começou efetuar os disparos. Na ocasião, ele vestia uma touca ninja, que cobre todo o rosto, e luvas nas mãos. O acusado também atirou em um homem que estava com a vítima no apartamento — ele está internado e corre o risco de ficar paraplégico.
A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) informou que as imagens citadas acima devem ser divulgadas nesta quarta-feira. A delegada Giovanna Clemente, da 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), concederá coletiva para dar mais detalhes sobre a investigação.
Na noite de sexta para sábado, Gabrich foi captado por câmeras do estacionamento que fica ao lado do prédio. Ele entra no local, do qual era mensalista, e se dirige à cabine de computadores. Ali, ele teria desligado os fios dos equipamentos que armazenavam as imagens do circuito interno de segurança, segundo as investigações. Depois de sair do estacionamento, ele foi ao prédio de Edna, onde teria cometido o assassinato.
Edna e Gabrich moraram juntos no município de Catalão, no interior do Goiás. Segundo familiares, ela deixou a cidade após se separar do suspeito, que passou a ameaçá-la. Por causa disso, Edna havia conseguido uma medida protetiva na Justiça, mas pediu que ela fosse revogada poucos dias antes do crime por ter voltado a relacionar com Gabrich. De acordo com as apurações, eles se encontravam frequentemente na academia.
Uma mulher foi morta a tiros e seu companheiro gravemente ferido em um apartamento na rua Cubatão, no bairro Paraíso, zona sul de São Paulo (SP)Segundo informações, o autor do crime seria o ex-companheiro da vítima fatal, Edna da Silveira, que teria invadido o prédio durante uma entrega de pizza, subiu ao apartamento e fez os disparos - 12/11/2016
Apartamento onde aconteceu o crime, no bairro do Paraíso, na Zona Sul de São Paulo (Marcelo Chello/FramePhoto/Folhapress)

Cunhado de Alckmin é assaltado em mansão no Morumbi

Um bando de criminosos fortemente armado invadiu e assaltou a casa do empresário Adhemar Cesar Ribeiro, cunhado do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. O crime aconteceu na madrugada desta terça-feira na Zona Sul de São Paulo. O irmão da primeira-dama Lu Alckmin chegou a ser agredido com socos no peito e no estômago e esteve sob a mira de um revólver. Os assaltantes — eram quatro no total — portavam fuzis e se falavam por ponto eletrônico. Os bandidos ficaram por cerca de uma hora na casa e levaram joias, relógios, dinheiro e um revólver calibre 38 que estava guardado em um 

Parecer que atrapalha pretensões de Rodrigo Maia foi maldade de Cunha

"Doa a quem doer"
Cunha: quem manda aqui sou eu
O parecer interno da Câmara que veda a possibilidade de Rodrigo Maia sonhar com novo mandato, revelado pela Folha de S.Paulo hoje, foi encomendado e devidamente estudado por Eduardo Cunha e pelos adversários de Maia.
Quando deixou a presidência da Câmara pela porta do subsolo, Cunha trabalhou como pôde para manter no comando da Casa alguém, digamos, afeto às suas orientações. Cunha não admite perder poder nem quando deixa o poder.
Por isso, seus camaradas solicitaram à Chefia Jurídica da Mesa Diretora a resposta à seguinte questão: quem assumisse a presidência para concluir o mandato de Cunha poderia disputar a reeleição em 2017? Os técnicos, peremptoriamente, disseram que não.
Com o parecer em mãos, o Centrão montou a estratégia: Rogério Rosso concorreria ao mandato-tampão e outro fidelíssimo amigo de Cunha, Jovair Arantes, sairia candidato em 2017.
Faltou combinar com Rodrigo Maia. Ele venceu Rosso, assumiu a presidência, pautou o pedido de cassação de Eduardo Cunha e agora, ao mirar a permanência no posto de quem manda acaba por tropeçar no pedaço de papel encomendado pela tropa de Cunha.

WhatsApp libera chamada de vídeo a todos os usuários; veja como usar


Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução
Após 20 dias testando o recurso, o WhatsApp decidiu liberar as videochamadas para todos os seus usuários --independentemente do sistema operacional usado. A iniciativa vem com um pouco de atraso em relação a outros aplicativos de mensagens, tais como o Skype e o próprio Messenger. 
"Dentro dos próximos dias, mais de um bilhão de usuários do WhatsApp poderão fazer chamadas de vídeo nas plataformas Android, iPhone e Windows Phone", relatou a empresa em seu blog. O que indica que a ferramenta será liberada gradativamente aos usuários. Fique de olho! 
UOL
O contato será visto na tela cheia do celular durante a videochamada
Para fazer as chamadas com vídeo, basta entrar na aba chamadas, ir em contatos (menu com o símbolo de um telefone e um +, no canto superior direito), selecionar o amigo com quem deseja conversar e apertar o ícone em formato de uma filmadora.
Durante a própria chamada, é possível alternar entre as câmeras frontal e traseira e silenciar a chamada. Parece que a interface de usuário varia ligeiramente no Android e no iPhone em termos de onde o vídeo picture-in-picture é exibido.
Vale lembrar que o recurso só funciona caso o contato também tenha instalado a nova versão do WhatsApp. Caso contrário, o usuário receberá a seguinte mensagem: "Chamada não completada. Não foi possível realizar a chamada. O usuário precisa atualizar o WhatsApp para receber chamadas de vídeo."

Teste

Durante os testes do UOL Tecnologia, as videochamadas se mostraram bastante instáveis. Na maioria das vezes, foi possível completar a chamada, mas a imagem acabava ficando congelada por problemas de conexão. Sem contar o delay --falta de sincronia entre o que é dito e o que é ouvido em uma ligação--, comum em chamadas pela internet.
Outro fator importante a se considerar é que o usuário deve ter em conta é que a videochamada consome dados do plano de internet móvel.
UOL
Se o usuário não tiver a versão beta do aplicativo, aparece a mensagem chamada não completada
"Nosso objetivo é de que este recurso esteja disponível indiscriminadamente para todos, e não somente para aquelas pessoas que podem comprar aparelhos mais caros ou que residam em um país com excelente serviço de cobertura de telefonia celular", destacou o WhatsApp, possivelmente ao fazer uma referência ao FaceTime (Apple). Mas, vale lembrar, que o Skype já é um app gratuito disponível a todos os sistemas operacionais que também oferece o mesmo recurso. 

Conheça dos detalhes do interior do maior avião do mundo

Mesmo numa segunda-feira chuvosa em Campinas e São Paulo, centenas de entusiastas da aviação se aglomeravam para ver de perto o Antonov AN-225, o maior avião do mundo.
O AN-225 impressiona com seus 84 metros de comprimento e uma envergadura de 88,4 metros e uma área alar de surpreendente 905 m².

Estabilizador duplo se destaca por sua grande área
O gigante ucraniano, que deixa sua casa nos arredores de Kiev apenas três ou quatro vezes no ano, é uma atração em qualquer aeroporto, mesmo em seu lar. Construído no final da Guerra Fria, o AN-225 é um derivado do AN-124, com o qual compartilha grande parte da estrutura, incluindo a fuselagem, sistemas, motores e algumas seções das asas. Mesmo utilizando parte do projeto do irmão mais velho, o AN-225 está longe de ser uma versão estendida, como ocorre com modelos como o Boeing 747-8 ou o Airbus A340-600 que são versões alongadas do 747-400 e do A340-300, respectivamente. O enorme avião ucraniano surgiu como um novo avião, tão único que por uma ironia do destino, com o fim da União Soviética se tornou literalmente o único avião do tipo. Um segundo modelo chegou a ser parcialmente construído, mas a crise financeira acabou tornando sua conclusão uma incerteza. Recentemente o projeto foi negociado com a China, que poderá concluir a construção do segundo exemplar, que provavelmente será modernizado.

Seis manetes e instrumentos analógico dominam o cockpit composto por seis tripulantes
Nariz rebatido e destaque para tampas do compartimento do trem de pouso dianteiro
Piso principal possui 1200 m³ de volume total
Mesmo esse único exemplar foi modernizado no final da década de 1990. Com o colapso do regime soviético e a independência das repúblicas do bloco, a Ucrânia ficou sem recursos para manter o avião em serviço. Abandonado por quase uma década, em 1999 a Antonov Design Bureau resolveu modernizar a aeronave e a disponibiliza-la para o transporte de super cargas. Uma série de mudanças foram realizadas, mas para quem está acostumado com aviões ocidentais recém lançados, o AN-225 ainda surpreende pelos sistemas analógicos, excesso de tripulantes e um conceito oriundo do inicio da era do jato. Soluções hoje estranhas, mas que faziam todo o sentido para os soviéticos que buscavam modelos simples de construir e que seguissem os conceitos já existentes. Em resumo, não era necessário um avião moderno, mas sim um capaz de atender as necessidades do país.
Ao embarcar no avião a primeira sensação é que internamente ele não difere muito de um Lockheed C-5, exceto por uns centímetros na largura e uns poucos metros no comprimento. Mas, basta uns minutos contemplando os 280 m² do salão principal para ter certeza que estamos diante de uma aeronave singular. São 4,4 m de altura, por 6,4 m de largura e nada menos que 43,3 m de comprimento. Ou seja, um volume de 1.300 m³. O interior ainda se destaca, como no AN-124 pelos guindastes a bordo, são quatro, com capacidade para 5 toneladas cada. Sim, o avião carregar “pequenos” guinchos para poder movimentar mais rapidamente cargas a bordo. Uma curiosidade é que ao contrário dos cargueiros do tipo, o AN-225 não conta com uma porta traseira, pois o objetivo não era o transporte tático, mas sim estratégico. O avião surgiu como uma solução para o transporte do ônibus espacial soviético Buran, numa solução similar à adotada anos antes pelos norte-americanos que levavam seu veículo espacial sobre um 747-100. Porém, dentro do conceito da Guerra Fria, nem tudo era o que parecia. Uma versão adaptada com AN-124, com cauda dupla, atenderia o programa espacial. Além de terem o desafio de criar algo maior que seus rivais no outro lado da cortina de ferro, os soviéticos queriam uma série de aeronaves que tivessem maior capacidade que o AN-124 para a movimentação dos misseis balísticos R-36, que tinham 32 m de comprimento e três ogivas nucleares, pensando nada menos que 190 toneladas. Somente um avião de proporções gigantescas poderia fazer tal transporte. Atualmente o AN-225 pode carregar até 250 toneladas de carga. Como comparação, um Boeing 747-8 vazio pesa 220 toneladas. 
Assim como todos aviões soviéticos o AN-225 conta com soluções únicas. Embora poucos saibam, o avião possui dois decks, como o A380. A seção dianteira do deck superior inclui o cockpit, para nada menos que seis tripulantes técnicos (um comandante, um copiloto, dois engenheiros de voo, um navegador e um operador de rádio), seguido de uma área de descanso da tripulação com catorze lugares, além de forno micro-ondas, frigobar, armários, entre outros. A seção traseira do deck superior inclui uma completa oficina, e espaço de descanso e trabalho dos demais membros da tripulação envolvidos com a operação em solo da aeronave.
O trem de pouso principal possui nada menos que 32 pneus. Outro destaque, os pneus são os maiores instalados num avião de transporte, com 1270 x 510 mm. Os tanques de combustível, treze no total, possuem capacidade para até 365 toneladas de querosene. 


Original: http://aeromagazine.uol.com.br/artigo/conheca-dos-detalhes-do-interior-do-maior-aviao-do-mundo_2979.html#ixzz4Q75leuId
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Temer soou na TV como refém da banda podre da politica


Josias de Souza

A Presidência da República oferece àquele que a ocupa uma tribuna vitaminada. Algo que Theodore Roosevelt chamou de bully pulpit (púlpito formidável). De um bom presidente, espera-se que aproveite o palanque privilegiado para irradiar confiança e bons exemplos. Em entrevista ao Roda Viva, da TV Cultura, exibida na noite passada, Michel Temer fez o oposto. Soou como um refém da banda podre da política. Deixou no ar a impressão de que seu apoio à Lava Jato é lorota. Alguma coisa nas palavras Temer dizia que seu governo pode não acabar bem.
Instado a afirmar o que pensa sobre a proposta de anistiar os políticos do crime de caixa dois, Temer subiu no muro. “Esta é uma decisão do Congresso.” E desceu do lado errado: “Eu não posso interferir nisso.” Convidado a se manifestar sobre projetos que saltam das gavetas em reação à Lava Jato, como a lei sobre abuso de autoridade, prioridade do multiinvestigado Renan Calheiros, Temer disse não acreditar que propostas do gênero atrapalhem as investigações.
Temer perdeu uma oportunidade para se vacinar contra o contágio dos micróbios do petrolão. Bastaria que aproveitasse o púlpito para brindar os telespectadores com uma declaração assim: “Esclareço que o presidente da República também participa do processo legislativo. A Constituição me faculta o poder do veto. Assim, aviso aos apoiadores do governo: não aprovem nada que afronte a ética ou comprometa o trabalho da Procuradoria e do Judiciário. Para que os brasileiros durmam tranquilos, informo: se aprovarem, eu vetarei.”
Noutro ponto da conversa, o entrevistado foi questionado sobre a situação de Lula, réu em três ações penais. Ao discorrer sobre a hipótese de prisão do ex-presidente, Temer insinuou que o melhor seria evitar. “O que espero, e acho que seria útil ao país, é que, se houver acusações contra o ex-presidente Lula, que elas sejam processadas com naturalidade. Aí você me pergunta: ‘Se Lula for preso causa problema para o país?’ Acho que causa. Haverá movimentos sociais. E toda vez que você tem um movimento de contestação a uma decisão do Judiciário, pode criar uma instabilidade.” Ai, ai, ai…
Sempre que uma determinada decisão judicial irrita a cúpula do crime organizado, os chefões da bandidagem ordenam, de dentro das cadeias, que seus asseclas promovam manifestações como queima de ônibus e ataques a policiais. Nem por isso o Estado tem o direito de acovardar-se. Mal comparando, o caso de Lula segue a mesma lógica. O que deve nortear a sentença é o conteúdo dos autos.
Se o pajé do PT cometeu crimes, deve ser condenado. Dependendo da dosagem da pena, sua hospedagem compulsória no xadrez estará condicionada apenas à confirmação da sentença num julgamento de segunda instância. A plateia que retardou o sono para assistir à entrevista merecia ouvir do constitucionalista Michel Temer que não há movimento social ou instabilidade política que justifique o aviltamento do princípio segundo o qual todos são iguais perante a lei.
No tempo em que era o segundo de Dilma Rousseff, Temer se queixava de ser tratado como “vice decorativo”. Era como se a ex-rainha do PT o considerasse como um figurante —do tipo que aparece entre os mendigos, feirantes e o enorme elenco de etcéteras mencionados no final da relação dos papeis numa peça shakespeariana. Mesmo quando foi guindado à condição de articulador político do governo, Temer nã deixou de ser o ‘etc.’ do enredo. Compunha o fundo contra o qual se cumpria o destina trágico da rainha.
Agora que pode exercer em sua plenitude o papel de protagonista, Temer prefere morrer atropelado como um transeunte a entrar na briga do lado certo. Os supostos protagonistas de 2018 o tratam como uma espécie de interlúdio. Sua missão seria divertir o público enquanto o elenco principal troca de roupa. Mas Temer acha que tem potencial para ser a melhor coisa do espetáculo: “Qual é meu sonho? O povo olhar pra mim e dizer: ‘Esse sujeito aí colocou o Brasil nos trilhos. Não transformou na segunda economia do mundo, mas colocou nos trilhos’.”
A palavra do presidente é o seu atestado. Ou a plateia confia no que Temer diz ou se desespera. A suspeita de que as boas intenções de Temer não passam de um disfarce de alguém que não tem condições de se dissociar da banda podre leva ao ceticismo terminal. No desespero, um pedaço minoritário da sociedade acreditou que o país estivesse de volta aos trilhos. Houve mesmo quem enxergasse uma luz no fim do túnel. Mas entrevistas como a da noite passada revelam que talvez seja a luz da locomotiva da Lava Jato vindo na contramão.