Empresa aérea de tragédia da Chape culpa autoridades aéreas


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O porta-voz da companhia LaMia, cujo avião caiu na Colômbia provocando a morte de 71 pessoas, Mário Pacheco, disse nesta sexta-feira (2) que a responsabilidade pela falta de controle do combustível na aeronave era das autoridades aeronáuticas e não da empresa.
"A decisão correta é cumprir com o que está estabelecido nas normas de regulação e procedimentos da companhia", disse Pacheco.
"Agora, se eles se desviam, é uma decisão que não tem como controlar no momento do voo. Quem tem que exercer controle é a autoridade aeronáutica, como se faz em outros países, que controlam o combustível remanescente com que chegam as aeronaves. A empresa não está orientada a fazer isso. Nem tinha os meios, eram muito poucas pessoas que estavam trabalhando com o avião."

Pacheco disse que a LaMia está comprometida em colaborar com as autoridades aeronáuticas de Bolívia, Colômbia e do Brasil para apoiar o que "seja necessário" e que os voos com equipes de futebol eram contratos feitos diretamente com as instituições.Ele reitera, no entanto, que a empresa colabora com as investigações. "Tudo o que se pode coletar de informação, treinamentos e licenças já foi entregue às autoridades bolivianas e por meio delas às autoridades colombianas. Estamos contribuindo, mas elas foram claros em dizer que são os porta-vozes oficiais de todo esse assunto."

Mãe de Danilo e repórter do SporTV choram abraçados durante entrevista


Dona Ilaídes não se conteve de emoção e fez ato de carinho junto de Guido Nunes, que também não segurou as lágrimas, em meio ao gramado da Arena Condá

Por Chapecó

A entrevista que o repórter Guido Nunes, do SporTV, fazia com a mãe do goleiro Danilo, no gramado da Arena Condá, nesta sexta-feira, terminou de forma emocionante. Dona Ilaídes questionou a demora para rever seu filho, morto no acidente com o avião da equipe, na Colômbia, e pediu para abraçar o jornalista, que não conteve as lágrimas (assista ao vídeo acima). 
- Posso fazer uma pergunta? Como vocês, da imprensa, estão se sentindo tendo perdido tantos amigos queridos lá? Pode me responder? Posso te dar um abraço em nome da imprensa? - disse.
Ao todo, 71 pessoas morreram no trágico acidente com a aeronave que transportava a delegação da Chapecoense para a final da Copa Sul-Americana, em Medellín, na madrugada da última terça-feira. Destes, 20 eram jornalistas. Danilo, filho de Dona Ilaídes, chegou a ser resgatado com vida, mas faleceu no hospital. A mãe relatou o drama de ficar sem notícias do jogador.
- Acho que a pior coisa foi isso. Se tivesse acontecido igual aos outros, você já tinha perdido a esperança e pronto. Mas ficamos o dia inteiro e só fomos ter a confirmação da morte dele às 3h da tarde. Foi das 3h da manhã até 3h da tarde nessa agonia – disse.
Todos os 71 corpos das vítimas já foram identificados pelo IML de Medellín e estão sendo repatriados progressivamente a partir desta sexta-feira. Os mortos ligados à Chapecoense serão homenageados em um velório coletivo na Arena Condá, neste sábado. Dona Ilaídes disse sofrer ainda mais pela demora em reencontrar o filho.
- Espero muita dor ainda, muita espera, muito sofrimento. O que está matando a gente é essa espera. Isso não é de Deus. Não pode ser. Já imaginou que seu filho está em lugar longe que você não pode abraçar, vai chegar em um caixão lacrado, colocar ali. E você vai ficar de longe vendo ele, sem poder abraçar, não vai poder olhar no rosto nunca mais? Isso é terrível. E não sei quando vai chegar na minha cidade para ver ele lá com meus amigos, com minha família. Com os ídolos dele. Tem criança e menino chorando que jogavam bola com ele desde os 18 anos. Estão chorando desde segunda-feira. 
Guido Nunes chora abraçado à mãe de Danilo, Dona Alaíde (Foto: Reprodução SporTV)Guido Nunes chora abraçado à mãe de Danilo, Dona Alaíde (Foto: Reprodução SporTV)

Tucano pede afastamento de Renan Calheiros da presidência do Senado


O vice-líder do partido na Câmara Betinho Gomes diz que a permanência de Calheiros só agrava a crise

MURILO RAMOS
02/12/2016 - 16h09 - Atualizado 02/12/2016 17h06
Betinho Gomes (PSDB-PE), deputado federal (Foto: Lucio Bernardo Junior / Câmara dos Deputados)
O vice-líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Betinho Gomes, defende que o presidente do Senado, Renan Calheiros, se afaste do comando da Casa. Gomes afirma que Calheiros precisa entender que sua permanência só agrava a crise política. "Se ele pensa no futuro do país e quer que o atual governo dê certo, Calheiros precisa abrir mão da presidência."

“Muita saudade”, diz torcedor de 7 anos fã da Chape


O quarto de Enzo Narciso simula ser a Arena Condá. Ele recebia jogadores em sua casa e ia todo fim de semana ao estádio. A Chapecoense incentivava a presença de pequenos torcedores no clube

ISABELA KIESEL| CHAPECÓ (SC)
02/12/2016 - 19h42 - Atualizado 02/12/2016 20h16
“Você quer conhecer meu quarto?”, diz Enzo ao receber a reportagem de ÉPOCA na porta de casa. “Olha só quantas camisas eu tenho da Chape!”, continuou, mostrando a coleção de 22 peças que ele cuidadosamente distribuiu sobre a cama. O ambiente onde o garotinho de 7 anos dorme simula ser a Arena Condá, casa da Chapecoense, seu time do coração. O teto é forrado por uma imagem gigante do gramado, com uma montagem de fotos de Enzo “jogando” com o time. Detalhes de gesso dão a impressão de haver arquibancadas nas laterais. Imagens e autógrafos dos ídolos decoram as paredes do ambiente. E não para por aí. Canecas, material escolar, bonequinhos, enfeites, cortinas, tudo é verde e branco dentro do quarto. “Tô com muita saudade deles”, diz, enquanto mostra todos os apetrechos.
Enzo Narciso,de sete anos,torcedor fanático da Chape. (Foto: Rogério Cassimiro/ÉPOCA)
Enzo Gustavo Dias Narciso é apaixonante e apaixonado. O amor pela Chape vem desde os 4 anos. Acompanhado dos pais, Alex e Rosenilda, começou a ir ao estádio assistir aos treinos e jogos. “Era sagrado, todos os finais de semana”, diz o pai. Não demorou muito e aprendeu o nome completo de todos os jogadores. Aliás, Enzo tem uma memória invejável. Discorre sem hesitar sobre os feitos do time em anos anteriores e detalhes de jogos passados. Com o tempo, foi convidado para entrar em campo com os jogadores, ganhou a carteirinha de sócio kids. Várias vezes era chamado para descer ao gramado e bater bola com os filhos dos atletas após as partidas. Enzo virou íntimo do clube e o mascotinho “não oficial” dos jogadores. Rafael Lima, inclusive, maior ídolo do garoto, foi à festinha de aniversário de 7 anos dele junto com Neném. Os dois jogadores estão entre os oito do elenco da Chapecoense que não estavam no trágico voo. Desde terça-feira (29), porém, Enzo não quer pisar no estádio, pelo menos por enquanto. “Até tentei, mas dá muita tristeza ir na arena. Parece que eu tô acabado quando vou lá”, diz o menino, numa explicação exata do que muitos na cidade sentem.
Enzo também não conseguiu ir à escola desde o acidente. Está sem apetite e anda cabisbaixo, dizem os pais, bem diferente daquele menino alegre e falante que pais e avós estão acostumados a ver. Também não quer ver televisão, muito menos notícias sobre a tragédia que levou embora 19 atletas de seu time do coração. Seu passatempo é jogar bola na rua, cantar o hino da Chape e desenhar. Num papel branco, usou lápis de cor colorido para desenhar o meia Cléber Santana, o goleiro Danilo Padilha e o atacante Bruno Rangel. Ao lado aparecem Deus e círculos amarelos que representam “o poder dado aos anjinhos”.
Assim como a maioria dos chapecoenses, Enzo está de luto. O presidente da Chape, Sandro Pallaoro, também morto no desastre, apostava nos pequenos torcedores. Ele incentivava a presença de crianças no estádio, a ponto de essa paixão infantil ter se tornado uma marca registrada do time. O futuro do clube estava na juventude, costumava dizer Pallaoro.
A relação que Enzo mantinha com o time era diferente da de um fã qualquer. Tudo em sua rotina tem relação com o clube, contam os pais. “Ele encarnava ser o próprio jogador. Não era o Enzo que estava indo para o banho, era o jogador fulano de tal. Se a gente quisesse que ele fizesse algo, usávamos os atletas como exemplo para negociar”, afirma a mãe. Questionada se ela se preocupava com esse amor excessivo do filho, Rose diz que sempre prezou por uma relação saudável, mas que passou a ficar mais alerta quando vizinhos chamaram sua atenção. “Mas o Enzo só tem essa roupa?”, diziam, sobre o uso diário do uniforme da Chapecoense. Outro dia, lembra ela, uma coleguinha do filho disse que “toda fala do Enzo na sala de aula tinha a ver com a Chape”. Por outro lado, comenta Alex, os próprios jogadores ajudavam na educação das crianças: “Quantas vezes eles conversavam com as crianças e diziam: ‘Se quer vir ao estádio, tem de tirar notas boas’. Acabavam sendo bons exemplos”.

Aviões da FAB já deixaram Medellín



Três aviões da Força Aérea Brasileira já decolaram de Medellín, com os corpos das vítimas do acidente com o avião do Chapecoense.
Haverá uma escala em Manaus. A chegada à cidade catarinense está prevista para amanhã cedo.

Moro condena Genu a 8 anos de prisão



O juiz Sergio Moro condenou, hoje, João Cláudio Genu a oito ano e oito meses de prisão. O ex-assessor do deputado José Janene foi condenado pelo recebimento de, pelo menos, R$ 4,3 milhões em propinas da Petrobras.
Na sentença, Moro declarou que as provas contra Genu estão “acima de qualquer dúvida razoável.”

Pai de zagueiro se revolta ao saber de ida a aeroporto para abraçar Temer: ‘Falta de respeito’


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Filipe Machado foi uma das vítimas fatais do acidente da Chapecoense. (Foto: Divulgação)

Osmar Machado, pai do zagueiro Filipe Machado, aguarda a chegada do corpo do filho, vítima de acidente aéreo na Colômbia, para velório coletivo na Arena Condá, em Chapecó. Informado de que deveria ir ao aeroporto recepcionar o presidente Michel Temer, ele mostrou indignação.
“Falaram que eu vou ter que sair daqui e ir até o aeroporto dar um abraço no Temer. Acho isso uma falta de respeito com as famílias. Se ele quiser, que venha aqui. Isso é tão desrespeitoso que eu até acho que a mentira (a vinda do Temer)”, criticou.
O pai também afirmou que, após a cerimônia em Santa Catarina, a família irá realizar outro velório na Arena do Grêmio, no Rio Grande do Sul. Embora Machado tenha defendido a camisa do Internacional por 10 anos, foi o Grêmio quem ofereceu o espaço e entrou em contato com a família.
“Não quero reclamar. Ou julgar. O Filipe tinha muitos amigos nos dois clubes. Mas quem nos contatou foi o Grêmio. Talvez por que o Inter tenha outras preocupações agora”, falou. Filipe Machado também teve uma breve experiência no Grêmio, dos 9 aos 11 anos.
Muito abalado, o pai de Machado contou que o filho estava vivendo um dos momentos mais felizes da sua vida. “Ele jogou em países de muito conflito, como o Irã, a Rússia e os Emirados Árabes… Mas foi aqui que o pior aconteceu”, lamentou.
Em luto, Osmar também chamou o piloto da companhia aérea LaMia de “imbecil” e “ganancioso”. “Pena que o piloto não está vivo pra ver tudo isso aqui, tudo o que ele fez com a gente”, disparou. Segundo as investigações preliminares das autoridades colombianas, a queda do avião, que deixou 71 mortos e seis feridos, deveu-se à falta de combustível.
Osmar revelou que fez o trajeto de sua cidade, Gravataí, para Chapecó de carro – e que muitas vezes pensou em “enfiar o carro embaixo de um caminhão”. O pai do zagueiro morto no voo da LaMia disse que não fez uma bobagem porque precisa ser forte e ajudar a esposa e as filhas.

Irmã diz que Alan Ruschel apertou a mão de seu pai e mexeu as pernas


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Alan Ruschel. (Divulgação)
Alan Ruschel está evoluindo positivamente, de acordo com boletim médico. (Divulgação)
A irmã de Alan Ruschel, um dos sobreviventes do trágico acidente de avião que vitimou boa parte da delegação da Chapecoense no início da semana, usou as redes sociais nesta sexta-feira para atualizar as informações sobre o jogador. E as novidades trazidas por ela são boas. Segundo Amanda, seu irmão apertou a mão do pai, Flávio, e já movimentou as pernas.
“Meu pai disse que fala o tempo todo com ele. O Alan apertou a mão dele e mexeu as pernas! Vamos continuar com orações para todos. Para os familiares e amigos dos guerreiros que estão com deus, pois eles precisam muito, muito mesmo”, escreveu Amanda em sua página no Instagram.
As informações da irmã vão ao encontro das atualizações dadas pelo último boletim médico divulgado pela Chapecoense nesta sexta-feira à tarde. Nele, as principais novidades também são em relação a Alan Ruschel, que vai evoluindo positivamente depois de correr risco de ficar paraplégico.
“Foi submetido à cirurgia na coluna vertebral e inspira cuidados Está com movimentos normais em membros superiores e inferiores. Apesar das múltiplas escoriações, oferece boas perspectivas de melhora. Já conversou com a família”, diz o trecho referente ao jogador.
Alan foi o primeiro passageiro do avião a ser encontrado com vida. Com fratura vertebral, precisou ser submetido a cirurgia, mas tem evoluído bem. A agitação dele quando consciente, no entanto, obriga os médicos a mantê-lo sedado. “O Alan está se recuperando, só que quando começa a acordar, se agita muito, tenta arrancar os aparelhos. Então, continua sedado”, explicou Amanda.