Conmebol premia Atlético Nacional pelo Fair Play ao pedir título para a Chapecoense


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Atlético Nacional vai receber US$ 1 milhão.. (Divulgação/Atlético Nacional)
Atlético Nacional vai receber US$ 1 milhão.. (Divulgação/Atlético Nacional)
A Conmebol anunciou a Chapecoense como campeã da Copa Sul-Americana de 2016. Parte fundamental nesta decisão da Conmebol, o Atlético Nacional também foi reconhecido pela entidade. Em comunicado no site oficial, a confederação anunciou que dará ao clube colombiano “o reconhecimento extraordinário do prêmio ‘Centenário Conmebol para o Fair Play'”.
“Para a Conmebol, não há maior prova de ‘espírito de paz, compreensão e jogo limpo’, listados como objetivo de nossa instituição, que a solidariedade, a consideração e o respeito exibido pelo Club Atlético Nacional da Colômbia com seus irmãos da Associação Chapecoense de Futebol do Brasil”, explicou.
Imediatamente após o trágico acidente aéreo, o Atlético Nacional pediu que o título sul-americano fosse dado ao clube brasileiro, e a Conmebol confirmou ter recebido esta requisição. Por isso e por todas as homenagens prestadas pelo time de Medellín desde então, o premiou com esta honraria e com US$ 1 milhão.
“Na quarta-feira, 30 de novembro, a Conmebol recebeu uma carta do Club Atlético Nacional, dirigida ao senhor Alejandro Domínguez, presidente da Conmebol, pedindo que a confederação ‘entregasse o título da Copa Sul-Americana à Associação Chapecoense de Futebol como prêmio honorífico a sua grande perda e homenagem póstuma às vítimas do acidente fatal que enluta nosso esporte’.”

Jornalista sobrevivente do acidente com a Chapecoense fala pela 1ª vez: ‘Deus me deu uma segunda chance’


Redação

O jornalista Rafael Henzel, um dos seis sobreviventes do acidente com o avião da Chapecoense, falou pela primeira vez nesta segunda-feira (5). O narrador conversou com os amigos da Rádio Oeste Capital, de Chapecó e, numa declaração emocionada, disse “Deus me deu uma segunda chance”.
“Oi pessoal, bom dia a todo mundo. Estou com a voz assim porque estou há muito tempo sem usar. Dizer que está tudo bem. Estamos avançando. Deus me deu uma segunda chance e a gente vai comemorar muito, todos nós. Tudo vai ficar bem. Tavinho tá bem. Logo nós vamos para casa para curar todas as lesões. O importante é que estamos vivos aqui pronto para a próxima. Beijo para todo mundo”, disse o jornalista.
Ouça:





Henzel já respira sem ajuda de aparelhos, embora continue com uma infecção pulmonar. Os médicos ainda consideram o estado de Henzel como “crítico”, mas ressaltaram uma evolução nos últimos dias.

O zagueiro Neto é o que inspira maiores cuidados, segundo os médicos, que divulgaram novo boletim neste domingo para informar sobre o estado de saúde dos jogadores da Chapecoense.
O zagueiro é o único que continua entubado. Neto, que foi o último a ser resgatado do acidente com vida, está com pneumonia e ainda depende de ventilação mecânica para respirar. E deve permanecer assim por até 48 horas.
Já o lateral Alan Ruschel evoluiu bem e até brinca com os médicos da UTI: pediu até um churrasco – ele disse que estava com vontade de comer carne. Ruschel conversa bastante com os médicos, falou com familiares que estão em Medellín e foi comunicado do que aconteceu.
O goleiro Jackson Follmann, que teve a perna direita amputada, continua mostrando evolução segundo os médicos, que já descartaram amputar a outra perna do jogador.
Follman, que pode sair da UTI nesta semana, sofreu uma lesão na coluna e terá de passar por uma cirurgia devido a uma fratura na segunda vértebra. Dependendo da evolução, a cirurgia na coluna pode até ser feita no Brasil.
Segundo os médicos, não há previsão para que os sobreviventes sejam transferidos para o Brasil. Os três jogadores e o jornalista precisam, primeiro, sair da UTI e ir para um quarto normal. “Até amanhã (segunda-feira) nenhum deles sai da UTI. Fazemos planos para cada 24 horas, porque pacientes de UTI estão em estado crítico, é muito dinâmico”, disse o intensivista Edson Stakonski.
Além dos quatro brasileiros, também sobreviveram ao acidente dois tripulantes bolivianos, Ximena Suárez e Erwin Tumiri, este último que, inclusive, já recebeu alta médica.

LaMia lamenta mortes em acidente da Chapecoense e promete ajudar na investigação


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Empresa prometeu ajudar nas investigações sobre a queda do avião (Reprodução)
Empresa prometeu ajudar nas investigações sobre a queda do avião (Reprodução)
Passada quase uma semana do trágico acidente aéreo que matou 71 pessoas no voo que levava a Chapecoense para Medellín, a LaMia, empresa aérea boliviana responsável pela viagem, se manifestou oficialmente através de comunicado oficial no Facebook. Nele, lamentou o número de vítimas e prometeu colaborar com a investigação das autoridades locais.
“LaMia expressa seu profundo sentimento de dor pela perda dos passageiros e colegas do voo LM2933, em 28 de novembro de 2016, perto de Medellín, Colômbia. Acompanhamos em sua dor as famílias que perderam seus entes queridos nessa tragédia, assim como aqueles que sobreviveram, por quem rezamos por sua pronta recuperação. Estamos fazendo tudo que está ao nosso alcance para buscar o bem-estar de todos e cada um dos afetados. Neste momento, a LaMia colabora ativamente com a investigação do acidente da Colômbia e com as autoridades competentes da Bolívia e em outros países para compreender adequadamente a causa dessa tragédia”, diz o c
omunicado.
Depois do acidente, a LaMia teve suas atividades suspensas pelo órgão responsável pela aviação da Bolívia. A empresa tem sido bastante criticada depois que evidências mostraram que o avião que levava a Chapecoense para a Colômbia continha a quantidade mínima de combustível para percorrer a distância entre Santa Cruz de la Sierra e Medellín.
Imediatamente, a postagem da LaMia no Facebook gerou repercussões negativas dos usuários da rede social, que chamaram a empresa de “assassina” e a classificaram como “responsável pelo acidente”. Esta, aliás, foi a primeira postagem na página da LaMia desde o trágico ocorrido.
Na noite da última segunda-feira, o avião que levava a Chapecoense para Medellín, onde enfrentaria o Atlético Nacional pela decisão da Copa Sul-Americana, caiu nas cercanias de Medellín. O acidente deixou 71 mortos, sendo boa parte deles membros da delegação do clube e profissionais de imprensa. Foram seis sobreviventes, sendo quatro brasileiros.

‘Ele nunca colocaria a própria vida e a de ninguém em risco’, diz viúva de piloto



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Viúva em entrevista ao fantástico sobre a morte do marido – Foto: reprodução TV Globo
Enquanto seguem as investigações sobre o trágico acidente da Chapecoense, um nome tem sido apontado como grande responsável pela morte das 71 pessoas no avião que levava o time catarinense para Medellín, na última terça-feira: Miguel Quiroga, piloto do avião e sócio da empresa aérea LaMia.
Investigações preliminares dão conta de que a aeronave teve uma pane seca por falta de combustível, depois que Quiroga teria arriscado percorrer o longo trajeto entre Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, e Medellín, na Colômbia, sem fazer escala para abastecimento em Cobija, no norte do país boliviano.
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Piloto Miguel Quiroga morto no acidente – Reprodução
Sua viúva, Daniela, contudo, afirmou que o marido era um profissional responsável e que jamais colocaria em risco a vida de passageiros e tripulantes neste voo da Chapecoense. “Ele estava muito bem preparado para operar. Meu marido levava aviação muito a sério. Eu entendo a dor de todos. Também perdi meu marido, também tenho filhos. Eu entendo a dor de todas as pessoas, mas ele nunca colocaria por vontade a própria vida e de ninguém em risco”, disse, em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo.
De acordo com a reportagem do programa, a família do piloto vem recebendo ameaças de morte desde o acontecido. Daniela seguiu defendendo Miguel Quiroga. “Meu marido era um homem responsável, que amava o que fazia. Ele não era uma pessoa má, não era um assassino”, completou.
O corpo do piloto foi enterrado no último domingo, em Cobija, próximo à fronteira com o Brasil, justamente na cidade onde as investigações apontam que Quiroga deveria ter feito uma escala para abastecimento do avião que levava a delegação da Chapecoense até Medellín para a final da Copa Sul-Americana, contra o Atlético Nacional, mas que caiu perto do aeroporto da cidade colombiana.

Com trauma no pulmão, Neto não apresenta evolução e está em estado muito crítico


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O novo boletim médico sobre os sobreviventes da queda do avião da Chapecoense em Medellín comprovou que os jogadores Alan Ruschel e Jackson Follmann e o jornalista Rafael Henzel seguem evoluindo positivamente no Hospital San Vicente, em Rionegro. O zagueiro Neto, no entanto, não tem respondido da mesma forma e continua em estado crítico.
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(Foto: Divulgação)
Ao lado do diretor do hospital colombiano, Ferney Rodríguez, o médico intensivista Edson Stakonski e o ortopedista Marcos André Sonagli concederam nova entrevista coletiva nesta segunda-feira e explicaram o estado de cada um dos sobreviventes. E os três foram categóricos ao cravar o quadro de Neto como o mais preocupante.
“Neto tem quadro pulmonar grave, não houve melhora como era esperado”, sintetizou Stakonski. “Está em situação muito crítica, sedado. Tem um processo infeccioso pulmonar e um trauma muito grande no tórax, além de respiração mecânica e algumas questões pendentes”, completou Rodríguez.
As informações vão ao encontro do que já havia sido noticiado no último domingo. Na ocasião, o boletim informou que o zagueiro era o único que continua entubado. Neto, que foi o último a ser resgatado do acidente com vida, está com pneumonia e ainda depende de ventilação mecânica para respirar.
“Ele é um homem muito forte, sua condição foi importante para ele sobreviver naquele momento em que ficou esperando o resgate, mas o trauma é muito forte. O que mais preocupa é sua condição pulmonar, ele tem trauma dentro do pulmão”, afirmou Rodríguez. “Induzimos um relaxamento muscular para facilitar a respiração mecânica, com cuidado intensivo. Vamos ver como evolui nas próximas 24 horas”, completou Stakonski.
Sobre os outros três sobreviventes, as informações são bem mais animadoras. Alan Ruschel se recupera bem da fratura vertebral, enquanto Jackson Follmann teve uma perna amputada e Rafael Henzel teve diversos traumas, além de apresentar uma infecção pulmonar nos últimos dias. Os três respiram sem ajuda de aparelhos e já conseguem se comunicar com médicos e familiares.
“A evolução dos três está surpreendendo. Foi um politrauma de uma energia cinética absurda, 71 pessoas perderam a vida. Então, o grau destas lesões a gente não tem. Dá para dizer que é uma evolução fantástica”, avaliou Stakonski. “Follmann tem evolução de forma adequada. Hoje vamos avaliar a amputação da perna direita, as feridas. Com o Rafael, não está mais entubado, está mais tranquilo, falando. Estamos cuidando do processo infeccioso Já o Alan está estável, consciente. Sua cirurgia de coluna tem uma resposta neural muito boa”, completou Rodríguez.
Os médicos admitiram que ainda há riscos de infecção e pneumonia, e que é justamente esta possibilidade que mais preocupa. No entanto, a evolução destes três pacientes é tão boa que a intenção é conseguir sentá-los fora do leito nas próximas horas.
“O Alan está bem, sem sinal de infecção e está estável, não há grande alteração. Nas próximas 24 horas deve sentar fora do leito”, comunicou Stakonski. “Rafael também deve sentar fora do leito hoje. Com o Follmann, deve demorar um pouco mais, pode ser amanhã, porque vamos fazer uma limpeza cirúrgica, das feridas. Se isso (sentar) acontece, o pulmão expande melhor, o paciente tem mais condições de fazer a fisioterapia. Então, é um avanço considerável”, explicou Sonagli.

Chapecoense é confirmada como CAMPEÃ da Copa Sul-Americana de 2016


Por Pedro Melo 
Conmebol confirmou a Chapecoense campeã da Sul-Americana. (Divulgação)
Conmebol confirmou a Chapecoense campeã da Sul-Americana. (Divulgação)
Faltava a confirmação, mas agora é oficial: a Chapecoense é campeã da Copa Sul-Americana de 2016. A decisão foi unânime e tomada durante reunião realizada por teleconferência com os membros do Conselho. Em nota oficial, a Conmebol afirmou que “não existe maior prova de espírito de paz, compreensão e jogo limpo do que o pedido do Atlético Nacional com os irmãos da Chapeconese”.
Com a confirmação, a Chapecoense garante uma vaga direta na fase de grupos da Copa Libertadores do ano que vem e também na Recopa Sul-Americana de 2017 justamente contra o Atlético Nacional. Além disso, disputará a Copa Suruga contra o Urawa Red Diamonds, campeão japonês e a Supercopa Euroamericana diante do vencedor da edição 2016-2017 da Liga Europa.
O time catarinense receberá premiação de US$ 2 milhões pela conquista da Copa Sul-Americana e ainda garante mais US$ 1 milhão por jogar a Recopa Sul-Americana. Cada partida como mandante na Libertadores renderá US$ 600 mil para a Chapecoense e com isso, assegura, no mínimo, mais US$ 1,8 milhão. Em relação a Copa Suruga, o vencedor da partida ganha US$ 700 mil, enquanto o perdedor leva US$ 500 mil.
A ideia de declarar a Chapecoense campeã surgiu do próprio Atlético Nacional no dia em que aconteceu o trágico acidente. No último final de semana, o presidente do time alviverde, Ivan Tozzo, também já havia confirmado a notícia após conversar com o presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez.
“Além de estarmos muito preocupados com o lado humano, pensamos no aspecto competitivo e queremos publicar este comunicado onde o Atlético Nacional convida a Conmebol para que entregue o título da Copa Sul-Americana à Chapecoense como uma homenagem à sua grande perda e homenagem póstuma às vítimas fatais do acidente que deixa nosso esporte de luto. Da nossa parte, para sempre, Chapecoense campeã da Copa Sul-Americana de 2016”, disse o clube colombiano em nota oficial na semana passada.