Defesa de Lula chama de mentirosa e ofensiva denúncia na Operação Zelotes


Lula
A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou adjetivos como mentirosa, ofensiva e delirante para comentar a denúncia apresentada nesta sexta-feira contra Lula e seu filho no âmbito da Operação Zelotes. Segundo a defesa, a denúncia não aponta nenhuma conduta criminosa, trazendo apenas ilações.
Confira a íntegra da nota:
A ação proposta hoje (9/12) por membros do Ministério Público é mentirosa e ofensiva não só ao ex-presidente e sua família mas também às Forças Armadas, que conduziram o processo de seleção e definição da compra de novos caças para a Aeronáutica, à presidenta Dilma Rousseff, que governou o Brasil entre 2011 e 2016, ao primeiro-ministro da Suécia, Stefan Lofven, e às empresas também citadas de forma irresponsável pelos promotores.
A delirante denúncia não aponta nenhuma conduta criminosa do ex-presidente ou de qualquer das autoridades citadas, nem diz quem teria, como e quando, supostamente, corrompido membros do Congresso Nacional na tramitação de medidas provisórias. Traz apenas ilações irresponsáveis, pelas quais seus autores ainda serão responsabilizados.
Para sustentar mentiras e denúncias midiáticas com o objetivo político de tirar Lula da disputa eleitoral de 2018, alguns procuradores abdicam do exercício correto de um cargo de alta responsabilidade pela vontade de aparecer e fazer parcerias com grupos de comunicação.
A imprensa brasileira tem feito muito barulho com a versão dos acusadores, mas silencia quando mais de 20 testemunhas de acusação ouvidas na Lava Jato e em audiências em Brasília não confirmam as teses delirantes  e narrativas ficcionais dos promotores. 

Temer responde perguntas de Cunha na Lava Jato


Foto: Beto Barata/PR
Com Thaissa Martiniuk – BandNews FM Curitiba
O presidente da República, Michel Temer, encaminhou ao juiz federal Sérgio Moro as respostas dos questionamentos formulados pelos advogados do ex-deputado Eduardo Cunha. O documento tem data de ontem (quinta), mas foi protocolado no sistema da Justiça Federal do Paraná, somente nesta sexta-feira (09). Temer precisou responder 20 perguntas e em todas elas foi bastante objetivo. As 20 perguntas foram respondidas em apenas quatro páginas de documento. Muito delas com apenas uma frase como “não tomei conhecimento”, ou mesmo com um única palavra: “não”.
A defesa de Cunha perguntou se Temer, enquanto era deputado federal e presidente do PMDB, foi procurado pelo pecuarista José Carlos Bumlai para tentar manter Nestor Cerveró na diretoria internacional da Petrobras. Temer respondeu que como era presidente do PMDB foi sim procurado pata tratar da questão e disse também que recebeu o próprio Cerveró para discutir sobre o mesmo assunto. Os defensores também queriam saber se Eduardo Cunha teve participação na nomeação de Jorge Luiz Zelada para a área internacional da estatal. O chefe de estado disse que não tem conhecimento da influência do ex-deputado nesse assunto. Além disso, o presidente da República comentou que não sabe da participação de Eduardo Cunha na compra de um campo de Petróleo na África pela Petrobras.
Os advogados do ex-presidente da Câmara haviam protocolado 41 perguntas, mas Moro barrou 21 delas por considerar o conteúdo inapropriado. O juiz descartou 13 questionamentos por entender que eles ultrapassam a competência da Justiça Federal – que não pode investigar Temer de forma direta ou indireta. Outras oito perguntas foram cortadas pelo juiz, porque não estão relacionadas aos fatos investigados neste processo. Foram descartadas por Sérgio Moro a maioria das perguntas relacionadas ao conhecimento do presidente sobre os crimes cometidos na Petrobras. Michel Temer é uma das 22 testemunhas de defesa indicadas por Eduardo Cunha. Eduardo Cunha está preso preventivamente em Curitiba desde o dia 19 de outubro, a mando do juiz Sérgio Moro. O político é acusado de receber propinas em contrato de exploração de Petróleo na África e de usar contas na Suíça para lavar o dinheiro.

MOMENTO ANTAGONISTA: LULA SUPERSÔNICO




Claudio Dantas comenta a denúncia de Lula por tráfico de influência na concorrência bilionária para a compra dos caças suecos Gripen NG, da Saab. Trata-se de mais um escândalo de corrupção com repercussão internacional.


Vagner Mancini é o novo técnico da Chapecoense


Danilo Lavieri
Do UOL, em Chapecó (SC)

  • Vitor Silva / SSPress
A Chapecoense já tem um novo treinador. Trata-se de Vagner Mancini. Será ele o responsável pela montagem do elenco visando à temporada de 2017.
"É o nome. Ele está aqui chegou na cidade e vamos acertar um contrato. Ele está honrado de trabalhar com a gente e fazer o clube ressurgir das cinzas", afirmou ao UOL Esporte Plínio David De Nês Filho, o Maninho, presidente do Conselho Deliberativo do clube.
A expectativa é que a equipe de Santa Catarina faça uma coletiva ainda nesta sexta-feira (9) para apresentar o comandante. 
O último clube de Mancini foi o Vitória-BA, do qual foi demitido após derrota para o Flamengo por 2 a 1 no dia 10 de setembro no Barradão. Na equipe de Salvador, foram 76 partidas: 33 triunfos, 19 empates e 24 derrotas, o que significa um aproveitamento de 51,75%.
Nesta semana, Levir Culpi havia se colocado à disposição para treinar a Chapecoense de forma gratuita até o fim do Campeonato Catarinense, em maio. Porém, não houve acerto com a diretoria.
Na próxima temporada, a Chapecoense terá um calendário extenso. Além do Estadual, o clube disputará a Primeira Liga, o Campeonato Brasileiro, Copa Libertadores, Recopa Sul-Americana, Copa Suruga e o Troféu Joan Gamper.

Neto volta a respirar sem ajuda de aparelhos; Follmann será operado em SP


Do UOL, em São Paulo

O zagueiro Neto voltou a respirar sem a ajuda de aparelhos depois de nove dias dependendo de ventilação mecânica. Segundo a equipe médica que está em Medellín, o jogador da Chapecoense, um dos seis sobreviventes do acidente com o avião do time catarinense, evoluiu bem nas últimas horas.
"Conseguimos tirar ele da ventilação mecânica. Ele ainda é o paciente de UTI, que precisa de acompanhamento de hora em hora. As próximas 48 horas serão importantes para o Neto. Ele está há nove dias dependendo do ventilador. O pulmão dele precisa aprender a respirar sozinho. O pulmão desarmou. Ele evoluiu bem", disse o médico Edson Stakonski.
O goleiro Follmann, por sua vez, terá de passar por uma operação no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. O jogador da Chapecoense tem uma fratura na segunda vértebra cervical. O procedimento ocorrerá nos próximos dias. O dia para o transporte do paciente ainda não foi definido. 
De acordo com o médico Marco André Sonagli, Follmann será operado por Jorge Pagura, da CBF. "Não há uma urgência para a cirurgia. A ressonância vai dar a segurança de transporte", afirmou.
Em melhores condições, Alan Ruschel e Rafael Henzel devem ser transferidos para o Brasil até a próxima terça-feira. Ambos vão para Chapecó. O jogador, que está no quarto há quase 48 horas, tem uma infecção urinária - ela foi tratada e não preocupa os médicos.
A equipe médica espera, agora, depende da logística para autorizar a viagem dos pacientes ao Brasil - Neto ficará em Medellín. "Estamos organizando. Temos de ter segurança na aeronave, qual o tempo exato de voo. Precisamos entender tudo isso. Para pensar na condição clínica de quem vai, temos de entender essa logística", explicou Stakonski.

Acidente com avião da Chapecoense foi 'assassinato', diz ministro boliviano




La Paz, 9 dez 2016 (AFP) - O ministro boliviano da Defesa, Reymi Ferreira, acusou nesta sexta-feira de "assassinato" o piloto da aeronave da Lamia, que caiu em Medellín (noroeste da Colômbia) com 77 pessoas a bordo, por ter voado com combustível insuficiente, segundo as investigações preliminares.

"Definitivamente, não houve um acidente, houve um homicídio, o que ocorreu em Medellín é um assassinato", disse Ferreira, assegurando que se o piloto Miguel Quiroga tivesse cumprido as normas, agora não se estaria lamentando a tragédia.

À pergunta de se o piloto Miguel Quiroga foi o responsável pelo fato, Ferreira respondeu: "obviamente, se o piloto só tivesse cumprido o que diz a norma, que é aterrissar em Cobija ou em Bogotá, ou se pelo menos antes de se acidentar tivesse anunciado emergência desde o começo, é possível que esta tragédia não tivesse ocorrido".

Segundo um relatório oficial de uma funcionária aeroportuária boliviana, Quiroga teria decidido evitar as paradas em pontos de reabastecimento de combustível. Um técnico que sobreviveu à tragédia testemunhou também que o piloto não reportou emergência no voo.

"Que alguém se atreva a levar passageiros (..) com a gasolina exata viola um protocolo fundamental, básico da aeronavegação civil, de que se deve ter pelo menos uma hora e meia de autonomia de voo de onde se parte até onde vai se chegar", destacou Ferreira.

A este tipo de crítica, a viúva de Quiroga, Daniela Pinto, respondeu pedindo publicamente na quarta-feira que as pessoas entendam que seu marido "não é nenhum monstro".

Um assunto políticoLogo após a tragédia, alguns setores da oposição acusaram o presidente boliviano, Evo Morales, de negligência por supostamente ter autorizado o funcionamento irregular da companhia aérea. 

"Pretender politizar esse assunto, tentar culpar o presidente é um despropósito gigante", reagiu o ministro de Governo, Carlos Romero.

Entretanto, o vice-presidente Álvaro García comentou na televisão nesta sexta-feira que é "muito importante tomar consciência" de que o piloto Quiroga é genro do ex-senador Roger Pinto, violento opositor de Morales, e que está refugiado no Brasil desde agosto de 2013.

Segundo notícias oficiais, Quiroga é sócio da companhia Lamia. 

"Por declarações de familiares, quem investiu o dinheiro foi o senador Roger Pinto, e o genro (Miguel Quiroga, piloto que faleceu no acidente) era representante e também piloto", declarou García à TV.

Segundo García, Pinto "fará parte da investigação".

Promotores de Brasil, Bolívia e Colômbia coordenam as investigações das causas do acidente e por enquanto estão em prisão preventiva o gerente da Lamia, Gustavo Vargas Gamboa, e o filho dele, Gustavo Vargas Villegas, que foi chefe de registros de licenças da Direção Geral de Aeronáutica Civil (DGAC) boliviana.

Além disso, a Polícia emitiu uma ordem de prisão internacional contra Celia Castedo, funcionária aeroportuária e primeira denunciada no caso, que pediu refúgio ao Brasil. Outro sócio da companhia, Marco Antonio Rocha, permanece em Assunção, Paraguai, desde uma semana antes do acidente.

Morreram na queda do avião 71 das 77 pessoas a bordo, entre elas jogadores e dirigentes da Chapecoense, além de jornalistas. Seis pessoas sobreviveram.

Vargas admitiu há alguns dias que o avião, um BA-146 modelo RJ85, que decolou de Santa Cruz, deveria ter reabastecido na cidade boliviana de Cobija, no extremo norte do país, antes de seguir viagem até Medellín. Mas a aeronave não parou, nem foi reabastecida em Bogotá (capital da Colômbia), segundo informes preliminares.

Uma das principais hipóteses é que o avião tenha caído porque ficou sem combustível pouco antes de chegar ao aeroporto de Rionegro, que atende a Medellín.

Irmãos delatores da Lava Jato prestam depoimento em ação contra Paulo Bernardo


Flávio Costa
Do UOL, em São Paulo

  • Marcelo Camargo/Agência Brasil
    Milton Pascowitch (à direita) durante sessão da CPI da Petrobras em agosto de 2015
    Milton Pascowitch (à direita) durante sessão da CPI da Petrobras em agosto de 2015
Delatores da Operação Lava Jato, os irmãos Milton e José Adolfo Pascowitch serão as primeiras testemunhas de acusação da ação penal contra o ex-ministro Paulo Bernardo e mais 12 réus. Os depoimentos estão marcados para esta segunda-feira (12) na 6ª Vara Federal de São Paulo e marcam o começo da fase de instrução de uma das ações penais da Operação Custo Brasil, um desdobramento das investigações da Lava Jato.
Em agosto passado, o ex-ministro do Planejamento Paulo Bernardo (governo Lula) e mais 12 investigados se tornaram réus por organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro. O juiz federal Paulo Bueno de Azevedo, da 6ª Vara Federal Criminal em São Paulo, aceitou a denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal.
Marcello Fim/Framephoto/Estad?o Conte?do
O ex-ministro Paulo Bernardo nega que tenha recebido propinas
Os réus apresentaram uma defesa prévia, mas o magistrado confirmou o recebimento da denúncia e marcou as datas dos depoimentos das testemunhas de acusação. Outras quatro pessoas serão ouvidas durante a semana.
Milton Pascowitch é apontado como um dos operadores de propina dentro do esquema de corrupção que atingiu a Petrobras. Ele foi detido na 13ª fase da Lava Jato. Em agosto de 2015, ele e seu irmão, José Adolfo, se juntaram ao rol dos delatores da operação. Em um de seus depoimentos na delação, Milton deu detalhes de como operacionalizava pagamentos indevidos no esquema investigado pela Custo Brasil. Já condenado pelo juiz Sergio Moro, ele cumpre pena em regime semiaberto.

Patrono

Paulo Bernardo é acusado de ser o "patrono" do Esquema Consist, empresa de software contratada para administrar consignados de milhões de servidores. Segundo a Operação Custo Brasil, os desvios chegaram a R$ 102 milhões.

Viva a concorrência: 99 faz parceria com Apple na briga com Uber

A 99 é uma das empresas de táxi que souberam encarar com sensatez a chegada do Uber ao mercado (tanto que, hoje, nem é só mais apenas “de táxi”). No Brasil, certamente é a que adotou melhor postura. Em vez de sair reclamando por aí, clamando por proibição, a 99 pediu por uma regulamentação que colocasse todos os donos de aplicativos de transporte em pé de igualdade. Aí, no lugar de, mesmo assim, achar que o Uber deveria virar um tipo de táxi, simplesmente, compreendeu que há lugar tanto para essa modalidade antiga, quanto para a lógica dos motoristas particulares. Resultado: além do 99TAXI, a companhia brasileira agora conta com o 99POP (de carros “tipo Uber”) e a 99TOP, de opções de luxo. Agora, mais uma vez, mostra que compreende a ideia de livre mercado. No próximo dia 15, a 99 anunciará que começará uma parceria com a Apple para que os usuários possam usar a Siri para chamar pelos carros.
Aos que estão em outro mundo (ou não lembram): a Siri é a assistente pessoal da Apple, de iPhones, iPads e Macs. A ideia da parceria 99+Apple é bem simples (mas muito prática). No lugar de ter de acessar o app, e digitar um monte, perdendo tempo, para conseguir um carro, o usuário poderá falar com seu smartphone. Bastará pedir à Siri algo na linha: “Chame um 99TAXI” ou “Quero um 99POP”. Pronto, o veículo estará a caminho.
Hoje, em torno de 50% dos clientes da 99 utilizam o iPhone. Com a Siri, será possível chamar por qualquer um dos três tipos de serviço da empresa brasileira. Ao se levar em conta que se trata de uma companhia com operação em mais de 350 cidades do país, é fácil supor que a nova parceria com a Apple terá potencial de incomodar o Uber – e, principalmente, mexer no mercado; o que é sempre positivo para o cenário econômico.
Em tempo: vale frisar que o app do Uber já conta, também, com opção similar, de integração com a Siri. A novidade da rival brasileira coloca as concorrentes ainda mais em pé de igualdade. 

MP: Lula enriqueceu com tráfico de influência no governo Dilma

O ex-presidente Lula, réu na Operação Lava-Jato e alvo de sucessivas denúncias de tráfico de influência, corrupção e lavagem de dinheiro, terá um novo encontro com a Justiça. As suspeitas, fortes, são de enriquecimento próprio e de seus familiares a partir da venda de supostas facilidades a grandes empresas e lobistas no governo Dilma Rousseff. Este é o teor da mais recente denúnciaapresentada pelo Ministério Público Federal nesta sexta-feira e obtida por VEJA. Nela, segundo a acusação, Lula atuou em benefício da empresa sueca Saab, fabricante dos caças Gripen, e das montadoras MMC e CAOA a partir da intermediação do casal de lobistas Mauro Marcondes e Cristina Mautoni, alvos da Operação Zelotes. No esquema, Lula se vendia como o homem que mandava e desmandava no governo Dilma. Em troca, recebia repasses por meio de seu filho caçula, Luís Cláudio Lula da Silva. E-mails, atas de reuniões e agendas do Instituto Lula foram juntados à investigação como prova. Veja as principais descobertas do Ministério Público para encaminhar mais uma acusação criminal contra Lula na Justiça:

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Luís Cláudio, o intermediário: O Ministério Público aponta que Luís Cláudio atuou como intermediário de Lula para receber dinheiro do tráfico de influência praticado pelo ex-presidente. De junho de 2014 a março de 2015, o filho caçula do petista aumentou o patrimônio em 770%, sem explicação lícita. Os investigadores mapearam, por exemplo, que Luís Cláudio receberia 4,3 milhões de reais, via LFT Marketing Esportivo, e repassaria parte ao pai político. A deflagração da Operação Zelotes, no entanto, impediu que todos os repasses fossem feitos. Ao final, Luís Cláudio recebeu 2,55 milhões de reais das montadoras Caoa e MMC e da empresa Saab, fabricante dos caças Gripen, clientes da empresa Marcondes&Mautoni (M&M), dos lobistas Mauro Marcondes e Cristina Mautoni.
A influência sob o governo Dilma: A acusação imputa a Lula o papel de vender sua influência para tentar “convencer” a então presidente Dilma Rousseff a fechar contrato com a empresa sueca Saab, fabricante dos caças Gripen. “[As montadoras] MMC, CAOA e a SAAB, fraudulentamente, foram levadas a crer que Dilma Rousseff cederia à vendida influência de Lula, favorecendo-as, e bem por isso pagaram milhões de reais à M&M”, diz o MP. A partir de agosto de 2013, Lula vendeu supostas facilidades e “aderiu à divulgação que faziam de que poderia influenciar Dilma Rousseff”. Em um trecho, o ex-presidente é apontado como o único capaz de sobrepor as resistências dos técnicos do Ministério da Fazenda quanto à prorrogação de benefícios fiscais para as montadoras: “Fazenda não quer. Só vai fazer se o Lula mandar fazer”, diz trecho de documento apreendido.
Reuniões no Instituto Lula: Para comprovar o tráfico de influência do ex-presidente Lula, o Ministério Público destaca que Luís Cláudio Lula da Silva acompanhou o lobista Mauro Marcondes em reunião com o petista. O encontro foi na sede do Instituto Lula. Houve outras reuniões de Luís Cláudio e do lobista Mauro Marcondes com o ex-presidente. Uma delas, em 12 de maio do ano passado, se deu enquanto o filho do ex-presidente ainda recebia pagamentos da empresa do lobista. No final de agosto de 2015, Mauro Marcondes encontra Lula novamente, na sede do Instituto, dias depois de ter sido convocado para depois à CPI do Carf, aberta no Congresso Nacional. Em depoimento à Polícia Federal, Lula havia negado peremptoriamente ter se reunido com Marcondes. Os documentos reunidos pela Procuradoria desconstroem a negativa do ex-presidente. Os procuradores sustentam que Lula esteve o tempo todo por trás da relação entre o lobista e Luís Cláudio.
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Reuniões de lobistas com Lula e seu filho, trecho de denúncia do MPF
Prorrogação de benefícios fiscais: Além do tráfico de influência na compra dos caças militares, Lula e Luís Cláudio atuaram em benefício das montadoras MMC e CAOA por meio de alterações em uma medida provisória em tramitação no Congresso. A MP 627 prorrogava benefícios fiscais concedidos por outra MP também, segundo o Ministério Público, moldada a partir de propina. Para garantir a aprovação da medida provisória nos moldes dos interesses das empresas, Lula, tratado em mensagens eletrônicas como “LL”, se reuniu com os lobistas Mauro Marcondes e Cristina Mautoni, mesmo que as alterações fossem alvo de resistência no governo e, em especial, na equipe econômica. “Mais uma vez a credibilidade da Administração Pública e a seriedade do governo Dilma foram relegadas a um balcão de negócios”, diz a acusação. Trocas de e-mails em poder dos investigadores mostram que, na transação, ficou acordado repasses mensais de propina à empresa Touchdown, de Luís Cláudio. Nas conversas, o tema é tratado como dinheiro ao “futebol americano”. Outro trecho da denúncia, traz uma anotação que mostra a cobrança de Lula fez para que a CAOA transferisse 300.000 reais que estaria devendo para a Touchdown – o repasse foi feito pela empresa de Mauro Marcondes.
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Documentos falsos: Conforme a denúncia, uma série de documentos produzidos pelos investigados para justificar as atividades e os pagamentos é falsa. Tanto a empresa de consultoria de Mauro Marcondes e Cristina Mautoni produziu relatórios para a sueca SAAB no ano de 2014, sobre fatos supostamente ocorridos entre 2010 e 2013, quanto o filho de Lula fez uma colagem de informações da internet e da Wikipedia a título de consultoria sobre projetos esportivos. Nas palavras do Ministério Público, “tudo pós-fabricado”.
Dinheiro no exterior: O casal de lobistas amigo de Lula manteve por seis anos uma conta ativa no Citibank, omitida por seis anos das autoridades fiscais brasileiras. A Receita Federal descobriu que, em 2014, eles tinham 56.898,40 dólares numa conta que deveria estar fechada. Eles também enviaram ao exterior, em 2013, duas remessas de dinheiro (546.750 reais e 120.000 reais). Eles compraram um imóvel na região de luxo de Boca Raton, na Flórida, registrado no nome de um filho – e não declarado no Brasil.