COLUNA DA SANTA CASA DE COLOMBO: A IMPORTÂNCIA DA MAMOGRAFIA



  Mamografia é uma área do Diagnóstico por Imagem a qual visa estudar a anatomia do tecido mamário. O mamógrafo é o equipamento utilizado no exame de diagnóstico para a prevenção do câncer de mama.  Os primeiros estudos de lesões em mamas datam de 1913, porém somente em 1966 seria comercializado o primeiro modelo de mamógrafo e no ano de 1998 surge a mamografia digital, um divisor de águas no diagnóstico precoce.

  O câncer de mama é uma doença resultante da multiplicação de células anormais da mama, que forma um tumor. Há vários tipos de câncer de mama. Alguns se desenvolvem rapidamente, outros não.

  Tipo de câncer mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do câncer de pele não melanoma, o câncer de mama responde por cerca de 25% dos casos novos a cada ano.  Sem considerar os tumores de pele não melanoma, esse tipo de câncer é o mais frequente nas mulheres das regiões Sudeste, Sul, Centro-Oeste e Nordeste. Na região Norte, é o segundo mais incidente.

  Segundo dados do Ministério da Saúde, no Brasil mais de 12.000 mulheres morrem por ano em decorrência da doença. E fica o alerta sobre a necessidade do diagnóstico precoce, que por vezes é negligenciado pelas mulheres em virtudes de mitos sobre o exame, por questões culturais e até mesmo pela dificuldade do acesso.

  Em se tratando da acessibilidade ao exame, o Ministério da Saúde publicou a PORTARIA No- 61, DE 1º DE OUTUBRO DE 2015, que diz “Art. 1º Fica decidida a não ampliação do uso da mamografia para o rastreamento do câncer de mama em mulheres assintomáticas com risco habitual fora da faixa etária atualmente recomendada (50 a 69 anos) no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS. ”

  Ou seja, contrariando as recomendações de especialistas e associações de combate ao câncer, restringiu o acesso ao exame às mulheres que não estão nessa faixa etária pré-estabelecida e sem sintomas aparentes.

  Em virtude dessa portaria, da não pactuação com o ente municipal, porém visando o compromisso com a saúde da população, a Santa Casa de Colombo oferta aos seus usuários a mamografia digital a preço popular, todavia com qualidade garantida.

  AbraSUS!

    

O que a delação da Odebrecht pode revelar


A maior delação da Lava Jato poderá esclarecer mistérios de Lula, Dilma e Temer e aniquilar os núcleos de poder político a seu redor

BRUNO BOGHOSSIAN E FILIPE COUTINHO
16/12/2016 - 21h25 - Atualizado 16/12/2016 21h35
A prioridade na quinta-feira, dia 15, era fechar com urgência os detalhes do minipacote que poderia dar um microempurrão para tirar o país da recessão, mas o presidente Michel Temer interrompeu a reunião com a cúpula de sua equipe econômica, no fim da manhã, para uma conversa que preocupava muito mais. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, havia sido chamado ao gabinete presidencial para tratar oficialmente de uma pauta puramente administrativa, de acompanhamento de políticas prisionais, mas o interesse de Temer eram as primeiras gotas de uma torrente de vazamentos de delações premiadas dos executivos da Odebrecht, que podem atingir não apenas seus homens de confiança e boa parte de sua base aliada, mas ele próprio.
O mistério do que está nos arquivos criptografados da Procuradoria-Geral da República, dito por 77 integrantes da Odebrecht em seus acordos de delação premiada, faz o governo e o Congresso tremerem com intensidade crescente. Se o desgaste até agora foi grande, é inestimável o estrago que podem fazer os depoimentos de Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empreiteira, que tinha contato com presidentes da República e ministros; de Emílio, patriarca da empreiteira; de Alexandrino Alencar, executivo responsável pelo relacionamento com o ex-presidente Lula; e de Benedicto Júnior, que guardava em casa uma planilha de doações eleitorais com nomes de mais de 250 políticos de 24 partidos.
O ex-presidente Lula.Suas relações com a Odebrecht na África ficarão mais claras  na delação dos executivos (Foto: Ricardo Nogueira / Editora Globo)
Todos os grupos de poder organizado conhecidos hoje no Brasil estão ameaçados pela delação da Odebrecht e, num cenário mais longo, por outras investigações vindouras da Lava Jato. O que a Odebrecht tem a dizer guarda a capacidade de implodir esses núcleos, por revelar seus métodos de se aproveitar do controle da máquina do Estado e acesso privilegiado a empresas interessadas em negócios. Tomada como amostra, a delação de Cláudio Melo Filho é significativa pelo estrago que as falas de 77 executivos da Odebrecht causarão no PMDB, o partido do governo. Melo Filho citou o presidente Michel Temer 44 vezes, mas suas revelações pegam em cheio mesmo outras figuras grandes do partido, mais especificamente do PMDB do Senado, comandado pelo presidente Renan Calheiros e seus companheiros mais próximos, Romero Jucá e Eunício Oliveira. A trinca aparece como um time coeso, que atua em sintonia perfeita na tarefa de obter favores financeiros da empreiteira, em troca da aprovação de matérias no Legislativo. As revelações fulminam também o grupo de Temer, no qual habitam o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o secretário Moreira Franco, apresentados como “prepostos” de Temer. “Foi ele (Padilha) que recebeu e endereçou os pagamentos realizados a pretexto de campanha solicitados por Michel Temer”, disse Melo Filho.
A ex-presidente Dilma Roussef.A Odebrecht poderá  explicar melhor como pagou  despesas com seu marqueteiro em 2010 (Foto: Ueslei Marcelino / Reuters )
Melo Filho revelou que a Odebrecht entregou dinheiro vivo no escritório de advocacia de José Yunes, amigo e até a semana passada assessor especial de Temer, como parte de um acordo fechado entre Marcelo Odebrecht e o atual presidente da República. Na quarta-­feira, Temer recebeu a carta de demissão de Yunes, que se disse lançado a um “lamaçal de abjeta delação” e “enxovalhado por irresponsáveis denúncias”. O ritual de saída de Yunes, incluindo as frases de efeito, segue os manuais do governo para tentar conter um pouco a sangria provocada pela denúncia. Cláudio Melo Filho afirmou à Lava Jato que Temer “utilizava seus prepostos” para conseguir vantagens. Citou Eliseu Padilha como responsável por “operacionalizar” doações eleitorais da Odebrecht para o PMDB.
Na semana passada, outro ex-executivo, Márcio Faria, que comandou a Odebrecht Engenharia Industrial, disse aos procuradores que se encontrou em 2010 com Temer, o ex-deputado Eduar­do Cunha e João Augusto Henriques, lobista do PMDB na Petrobras, para negociar doações eleitorais ao partido em troca de facilidades para a empreiteira em contratos com a estatal, nas diretorias comandadas por prepostos da sigla. Faria afirmou que o encontro aconteceu no escritório político de Temer em São Paulo. Temer afirma que “o então deputado Eduardo Cunha levou um empresário ao escritório”, mas não se recordava o nome. Admite que já conhecia João Augusto. Em 2013, ÉPOCA revelou os negócios que o lobista fechou em nome do partido na Petrobras. Neste caso de 2010, o PMDB levou R$ 10 milhões por ajudar a empreiteira a ganhar um contrato de cerca de US$ 1 bilhão na área Internacional. Outra parte da propina foi entregue a João Vaccari, o então tesoureiro do PT hoje encarcerado em Curitiba. 
O PMDB deverá experimentar nos próximos meses dissabores assim, como os que aniquilaram o PT nos últimos dois anos. Na semana passada, o ex-­presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi denunciado pela quarta vez à Justiça. De acordo com a investigação, a Odebrecht gastou R$ 12 milhões em um terreno para a construção do Instituto Lula, em um negócio intermediado pelo ex-ministro Antonio Palocci, preso em Curitiba. Uma empresa menor foi usada para ocultar a presença da empreiteira. A denúncia aponta ainda que o empresário Glauco Costamarques, que participou da negociação, ainda comprou o apartamento vizinho ao de Lula, em São Bernardo. A Lava Jato descobriu que o imóvel era usado pela família Lula e que Marisa Letícia, mulher do ex-presidente, havia assinado um contrato de aluguel. Mas nunca pagou a fatura. Segundo a denúncia, a origem do dinheiro para comprar o apartamento era, de novo, a Odebrecht.

O presidente Michel Temer (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
Na prática, a denúncia significa que a Polícia Federal encerrou a investigação e concluiu que havia ali indícios de crime. Com o relatório em mãos, os procuradores decidiram então denunciá-lo. A palavra final, claro, será da Justiça. “O que incomoda a Lava Jato é o fato de Lula e nós, seus advogados, desnudarmos as constantes arbitrariedades e ilegalidades que são escondidas com a ajuda de setores da imprensa que têm interesse de prejudicar a atuação política do ex-presidente”, disse em nota a defesa de Lula. O ex-presidente é acusado ainda de outros crimes, como obstrução à Justiça, pela tentativa de calar o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, de ser favorecido pela construtora OAS no caso do tríplex de Guarujá e de tráfico de influência em favor da Odebrecht no exterior, especialmente em países da África.
As andanças de Lula pela África figuram entre os temas explorados pela delação da Odebrecht. Como ÉPOCA já revelou, a empreiteira levou Lula a dar palestras em países onde tinha seus negócios. Conseguiu com isso não só obras, como alguns financiamentos do BNDES, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Em troca, Lula levou, além da área que poderia ter sido a sede de seu instituto, doações e a reforma daquele sítio que frequenta em Atibaia, interior de São Paulo, mas no papel pertence a amigos. Lula faz críticas às investigações – em vez de explicar por que aceitou que a Odebrecht reformasse o sítio que usava. Acusa a todos de “lawfare”, uma espécie de guerra na qual todas as instituições se organizam para forjar denúncias contra ele.
O tormento do PT está na fase em que, para alguns, os recursos de oratória se esgotam e a admissão de culpas é a saída. Na semana passada, enquanto Lula negava as acusações, o ex-tesoureiro petista Paulo Ferreira, preso em Curitiba, admitia o óbvio. Assim como seu antecessor Delúbio Soares – outro que também já esteve em cana –, admitiu o uso de “recursos não contabilizados”. Ferreira falou em “recursos informais” para se referir ao danoso caixa dois. “No Brasil, o exercício da política foi sempre financiado (informalmente), o senhor está vendo isso nas apurações, e financiado por grandes volumes de dinheiro, que ou foram para campanhas ou foram para benefício pessoal das pessoas. Estou reconhecendo aqui que foram pagamentos ilícitos para fim de campanha eleitoral”, disse Ferreira. “Negar informalidades nos processos eleitorais brasileiros, de todos os partidos, é negar o óbvio.”
Marcelo Odebrecht sabia disso. Em 2015, pouco antes de ser preso, ele alertou a então presidente Dilma Rousseff sobre o risco que a Lava Jato representava a eles. Dilma não lhe deu ouvidos. Marcelo prestou mais depoimentos de sua delação na semana passada. Ele pode dar detalhes de como a empresa pagou US$ 11,7 milhões na Suíça ao marqueteiro João Santana por seus trabalhos na primeira campanha de Dilma, em 2010. Pagamento em caixa dois, ou “recursos informais”, como diria Paulo Ferreira. Dilma pode ter ignorado Marcelo Odebrecht na ocasião, mas no ano passado, de acordo com o ex-­senador Delcídio do Amaral, ela tentou remediar. Nomeou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) o ministro Marcelo Navarro, com o compromisso de ele votar pela libertação de Marcelo – o que Navarro efetivamente fez, mas de nada adiantou.
Dilma gosta de dizer que nunca haverá um ato de corrupção contra ela. Mas, a seu redor, há. Outrora tratado com um filho por Dilma, o assessor Anderson Dornelles é acusado de abusar dessa proximidade para ganhar dinheiro. No Planalto, seu salário era pífio se comparado ao estilo de vida de luxo que ostentava. Seu apelido dentro da Odebrecht, não por acaso, era “Las Vegas”. Cláudio Melo Filho, ex-executivo da empreiteira em Brasília, disse que pagou R$ 340 mil entre 2013 e julho de 2014 a Anderson. 
Assim como afundou o PT e já anunciou seus possíveis estragos no PMDB, a delação da Odebrecht afetará outro grupo de poder, o do PSDB, de apoio ao governo Temer. Delatores da empreiteira já citaram episódios comprometedores para sua cúpula. Oswaldo Borges da Costa Filho, um operador do presidente tucano, senador Aécio Neves, foi citado como encarregado de buscar propinas em troca das obras da Cidade Administrativa, a mais cara da gestão Aécio no governo de Minas – cerca de R$ 1,2 bilhão. A Odebrecht esteve nessa obra. Aécio chamou as acusações de “falsas e absurdas”. Outro dos delatores da empresa disse que entregou R$ 2 milhões em dinheiro vivo para Adhemar Ribeiro, cunhado do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Era caixa dois de campanha. Em nota, Alckmin já disse que “é prematura qualquer conclusão com base em informações vazadas de delações não homologadas”. Um ex-presidente da Odebrecht, Pedro Novis, disse aos procuradores da Lava Jato que a empresa deu R$ 23 milhões ao caixa dois de uma campanha presidencial de 2010 do ministro das Relações Exteriores, José Serra. Em nota divulgada na ocasião, Serra disse que não iria “se pronunciar sobre supostos vazamentos de supostas delações relativas a doações feitas ao partido em suas campanhas”.
Se em seu início a Lava Jato atemorizava os envolvidos com a Petrobras, como PT, PMDB e PP, agora ela causa pânico a um público maior, o dos políticos que mantiveram relacionamento com as empreiteiras nas bases tradicionais, da troca de favores subterrâneos. Pior de tudo para eles, a Lava Jato não se encerra na delação da Odebrecht. Há outras investigações paralelas em curso. Especificamente há o ex-deputado Eduardo Cunha, preso em Curitiba, com poder de complementar o que diz a Odebrecht e causar um estrago ao PMDB e ao governo de Michel Temer. Não é à toa que, nas perguntas que encaminhou, Cunha adiantou temas que estão nas mãos da Odebrecht. Para quem frequentou o terreno onde políticos e empreiteiras conviviam, há, portanto, muito com que se preocupar.
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Alan Ruschel recebe alta e é 1º sobrevivente brasileiro a deixar hospital

Do UOL, em São Paulo

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  • Reprodução/Sportv
    Jogador deixou o hospital em uma cadeira de rodas (foto) e embarcou em carro da família
    Jogador deixou o hospital em uma cadeira de rodas (foto) e embarcou em carro da família
O lateral Alan Ruschel recebeu alta médica desta sexta-feira (16) e é o primeiro dos quatro sobreviventes brasileiros do acidente com o avião da Chapecoense a deixar o hospital. O atleta deixou o Hospital Unimed Chapecó em uma cadeira de rodas por volta das 16h20 (horário de Brasília) e embarcou em um carro de familiares antes de ir para casa sob aplausos.
Ruschel foi quem teve melhor recuperação entre os quatro desde as primeiras notícias. A tragédia ocorreu na madrugada do dia 29 de novembro, e o jogador permaneceu internado em Medellín, na Colômbia, até 13 de dezembro, quando foi transferido ao Brasil. No seu país natal, tornou a ser internado no hospital de Chapecó.
Alan foi o primeiro a gravar vídeo para mostrar a evolução de seu quadro clínico e tem usado as redes sociais para mandar mensagens aos torcedores e aos familiares. Em sua última manifestação pública, disse que "segue na luta" para se recuperar.
"Os planos de Deus são maiores que os meus, tão grande que eu não posso imaginar. Obrigado a todos pelo carinho, pela força, pelas orações e pensamentos positivos. Seguimos na luta e honraremos aqueles que foram morar com Deus. Pai, peço que ampare seus familiares e que os conforte!! Deus, obrigado pela misericórdia deste milagre, o Senhor é maravilhoso. Obrigado!", escreveu o jogador no Instagram.
Rafael Henzel, Neto e Jackson Follmann também já estão no Brasil, mas estes três seguem internados. A expectativa é de que o jornalista Henzel seja o próximo a receber alta, prevista para a segunda-feira (19). 
O zagueiro Neto foi quem mais passou tempo no local do acidente antes de ser resgatado, cerca de 7 horas, e não por menos é o sobrevivente com estado mais delicado. Na última semana, seu quadro evoluiu positivamente. Nesta sexta, a doutora Juliana Foresti deu detalhes da condição do atleta. 
"O Neto chegou ontem para a gente. Ele tem uma lesão na quinta vértebra lombar, mas não precisará de cirurgia. Ele tem mobilidade, faz fisioterapia, mas não pode andar ainda. Também teve lesão de tendão patelar direito e será feita avaliação. Tem lesões de pele no tornozelo esquerdo, que tem secreção. Ele está respirando bem e se alimentou melhor, mas dormiu pouco. Está estável e sem previsão de alta", explicou. 
No dia 29 de novembro, o avião que levava o time da Chapecoense a Medellín, para a primeira final internacional da história do clube (da Copa Sul-Americana), caiu em território colombiano. Das 77 pessoas a bordo, 71 morreram. Ximena Suárez e Erwin Tumiri, tripulantes bolivianos, são os dois outros sobreviventes além dos brasileiros. 

Cervejaria intermediou repasses da Odebrecht a políticos, dizem delatores


 Beatriz Bulla e Fabio Serapião
  
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A Odebrecht abordou em seu acordo de colaboração com a Justiça detalhes de sua relação com a família Faria, proprietária do Grupo Petrópolis. A Lava Jato já havia identificado que executivos ligados à Odebrecht e o grupo eram sócios no banco Meinl Bank Antígua, utilizado pela empreiteira para operar as contas do departamento da propina no exterior. Na delação, além de assumirem a sociedade com Vanuê Faria, executivos da Odebrecht vão contar como utilizaram empresas dos donos da cervejaria Itaipava para distribuir dinheiro a políticos por meio de doações eleitorais e entregas de dinheiro vivo.
Entre os que participaram das negociações com integrantes da família Faria e entregaram informações sobre o esquema estão Benedicto Júnior, o BJ, ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, e Luiz Eduardo Soares, o Luizinho, funcionário do Setor de Operações Estruturadas, o departamento da propina.
Durante as negociações, Luizinho prometeu contar como a Odebrecht injetou cerca de R$ 100 milhões em uma conta operada pelo contador do Grupo Petrópolis no Antígua Overseas Bank (AOB) e construiu fábricas em troca de dinheiro no Brasil disponível para campanhas eleitorais e pagamento de propina para agentes públicos.
No caso das doações, depois de compensada com pagamentos no exterior, em especial na conta Legacy no AOB, o Grupo Petrópolis utilizava algumas de suas empresas para efetuar os repasses para campanha de políticos por ordem da Odebrecht. Ao menos duas empresas, segundo Luizinho, a Praiamar e Leyros Caxias, teriam sido utilizadas para escoar o dinheiro do departamento de propina para campanhas nas eleições de 2010 e 2012.
Doações
Os delatores prometeram entregar aos investigadores planilhas das contribuições eleitorais executadas pelo Grupo Petrópolis e os documentos relacionados ao controle da movimentação real/dólar entre as contas das empresas. No site do Tribunal Superior Eleitoral constam doações relacionadas à Praiamar e Leyroz. Em 2010, a Leyroz doou cerca de R$ 4,3 milhões para políticos do PT, PMDB, PP, PSDB, PV, DEM, PTC, PSB, PSDC e PSOL. Nas eleições de 2012, a empresa repassou outros 560 mil para candidatos do PSB e PMDB. Por sua vez, a Praiamar, em 2010, doou R$ 1,1 milhão para os mesmos partidos destinatários dos valores da Leyroz. Em 2012, foram mais R$ 1,5 milhão para PSB, PMDB, PPS e PCdoB.
Entre os políticos que receberam as doações da empresa, segundo o delator, por conta e ordem da Odebrecht, estão alguns que já apareceram nas delações da Odebrecht. Como os repasses em 2010 a Aécio Neves (PSDB-MG), no valor total de R$ 120 mil, Ciro Nogueira (PP) com R$ 200 mil, o tucano Arthur Virgílio (R$ 100 mil), Heráclito Fortes do PSB-PI (R$ 100 mil), o tucano Jutahy Magalhães (30 mil).
Para os pagamentos em espécie, segundo Luizinho, a Odebrecht acionava o operador Álvaro José Galliez Novis, que já foi alvo da Lava Jato, para distribuir o dinheiro fornecido pelo Grupo Petrópolis. De acordo com as anotações de Maria Lúcia Tavares, secretária do departamento da propina, Novis atuava sob o codinome da conta "Carioquinha" e "Paulistinha" e era diretor da Hoya Corretora de Valores. Segundo relatório da PF, ele é sobrinho de Álvaro Pereira Novis, ex-dirigente da Odebrecht na área de apoio e desenvolvimento de oportunidades e representação.
Os investigadores já haviam encontrado indícios da relação entre o Grupo Petrópolis e a Odebrecht na 23.ª fase de 279 políticos de 22 partidos. Com Benedicto Júnior, a Polícia Federal apreendeu uma planilha na qual "Itaipava" está anotada à mão ao lado de um repasse de R$ 500 mil para Luís Fernando Pezão (PMDB), atual governador do Rio de Janeiro. Essa mesma doação para Pezão está relacionada, no topo da coluna dos valores, a "Parceiro IT".
Há ainda na planilha doações para a campanha eleitoral de 2012, o total chega a R$ 5,8 milhões. Em outro quadro, sem data definida, o "parceiro" aparece como responsável por doações de R$ 30 milhões a 13 partidos, entre eles PT, PMDB e PSDB.
Defesas
Por meio de sua assessoria de imprensa, o Grupo Petrópolis afirmou "desconhecer as informações da suposta delação, que não tem amparo na realidade e que Cleber e Vanuê Faria não são membros do Grupo."
A Odebrecht informou que "não se manifesta sobre o tema, mas reafirma seu compromisso de colaborar com a Justiça. A empresa está implantando as melhores práticas de compliance, baseadas na ética, transparência e integridade".
A assessoria do senador Aécio Neves reitera que as doações feitas à campanha eleitoral ocorreram na forma legal e estão demonstradas nos documentos públicos registrados pelo PSDB junto ao TRE-MG, em 2010.
O criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que defende o senador Ciro Nogueira, afirmou que não irá se manifestar sobre delações da Odebrecht pois "tem certeza que os acordos serão anulados em razão de ilegalidades".
O prefeito de Manaus, Arthur Virgilio, afirmou que recebeu, de modo legal e com o devido registro na Justiça Eleitoral, R$ 80 mil, "a título de colaboração da empresa Odebrecht, através de sua subsidiária Leyroz de Caixias Indústria, Comércio e Logística" para a campanha de 2010. "Essa é a verdade única", afirmou o prefeito.
O deputado Jutahy Magalhães informou que recebeu doações da Praiamar após fazer solicitação à Odebrecht. Segundo ele, todas as doações feitas após solicitação à empreiteira estão registradas na Justiça Eleitoral. Os contatos do parlamentar para solicitar repasses para campanha eram feitos com o ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht, Claudio Melo Filho.
Heráclito Fortes foi procurado pela reportagem, mas ainda não respondeu aos contatos.

Moro ouve últimas testemunhas do MPF contra Lula em ação do triplex


Foto: Comunicação Social JFPR
As últimas testemunhas de acusação no processo contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que investiga a propriedade de um triplex no Guarujá (SP) são ouvidas hoje (16) em duas audiências no durante a tarde.
Às 14 horas, são ouvidos José Pinheiro (ex-zelador do Conjunto Solaris) e a engenheira que supervisionou obras no triplex Rosivane Soares Cândido. Os dois são ouvidos de Santos (SP). A partir das s 15h, são ouvidos Paulo Marcelino Mello Coelho e Luiz Antônio Pazine, de Santo André (SP), sobre o transporte de bens do ex-presidente. Os depoimentos são transmitidos por videoconferência para a Justiça Federal em Curitiba.
Essas audiências também são as últimas da Operação Lava Jato antes do recesso da Justiça Federal que começa na semana que vem.
Nesta ação, Lula, a ex-primeira dama Marisa Letícia e outros seis são réus no processo em que Lula é acusado de receber R$ 3,7 milhões em vantagens indevidas – pela reserva e reforma do apartamento no Guarujá.
Até agora, 23 testemunhas arroladas pelo MPF (Ministério Público Federal) já foram ouvidas. Apenas o ex-deputado Pedro Corrêa (PP) e o ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT e ex-PSDB) fizeram acusações contra o ex-presidente, embora não tivessem conhecimento sobre o tríplex. Nenhum dos ouvidos atribuiu a propriedade do triplex a Lula.
As testemunhas de defesa do ex-presidente devem ser ouvidas, a partir do dia 6 de janeiro.  Após essa etapa, Lula deve ser ouvido. Então, acusação e defesa fazem as alegações finais que antecedem a sentença do juiz Sérgio Moro.

Acusações contra Lula neste processo

O ex-presidente Lula foi indiciado por corrupção passiva, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. No inquérito, Lula é apontado como recebedor de vantagens pagas pela empreiteira OAS no triplex do Guarujá.
Os laudos apontam melhorias no imóvel avaliadas em mais de R$ 777 mil, além de móveis estimados em R$ 320 mil e eletrodomésticos em R$ 19,2 mil. A PF estima que as melhorias tenham custado mais de R$ 1,1 milhão no imóvel do Guarujá.
A ex-primeira dama Marisa Letícia foi indiciada por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Para a PF, Marisa recebeu, junto a Lula, vantagens indevidas da empreiteira OAS nas reformas do tríplex.
Paulo Tarcisio Okamoto foi indiciado por crimes de corrupção passiva, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Segundo a PF, ele recebeu vantagens indevidas entre 2011 e 2016 que totalizaram mais de R$ 1,3 milhão do empreiteiro Léo Pinheiro.
Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, é acusado por corrupção ativa, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Ele teria pagado a Paulo Gordilho, ex-diretor da OAS, para a realização das obras e trasporte e armazenamento dos bens do casal. O total pago em vantagens indevidas chegaria a R$ 2.430.193.
Paulo Gordilho teria atuado diretamente no pagamento de propina junto a Léo Pinheiro. Foi indiciado pelos crime de corrupção ativa.

Vereador eleito, professora e pastores evangélicos são denunciados por racismo e intolerância religiosa


Da Redação com MP-PR

O Ministério Público do Paraná (MP-PR), por meio da 24ª Promotoria de Justiça de Londrina, apresentou nesta semana três denúncias criminais relacionadas a crimes de racismo e preconceito religioso. A primeira denúncia é contra duas pessoas (incluindo um vereador eleito neste ano) por divulgarem ofensas a religiões de matriz africana em rede social. A segunda é contra dois pastores evangélicos por fixarem faixa com dizeres ofensivos a religiões de origem africana. A última ação penal tem como ré uma professora de curso de enfermagem, acusada de injúria racial contra uma aluna. As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (16).
Foto: EBC
Na primeira denúncia, o MP-PR relata que dois homens, incluindo o eleito vereador, publicaram em seus perfis na rede social Facebook críticas à exibição de uma peça teatral sobre a história do povo africano a alunos da rede municipal. Nos comentários feitos na internet, os dois utilizam termos que denotam discriminação e preconceito, provocando intolerância e incitando a violência contra pessoas da raça negra e de religiões de matriz africana, como candomblé e umbanda, ao associarem a peça ao termo “macumba”, expressão de cunho pejorativo.
O segundo caso se refere a dois pastores evangélicos que colocaram na frente da igreja em que atuam uma faixa em que incitam a violência contra pessoas adeptas a religiões de matriz africana e convocam os fiéis a uma “guerra contra a macumba”. Tais crimes são passíveis de reclusão por até cinco anos, além de multa.
A Promotoria de Justiça destaca que a intolerância e incitação à violência, presentes nos dois processos, podem levar a situações extremas, como no caso da morte de uma líder religiosa da cidade, praticante de candomblé, ocorrida em 2013. O crime, que repercutiu muito em Londrina e região, teve como vítimas a mulher, sua mãe (a época com 86 anos) e uma neta (de apenas 10 anos). As três foram mortas a facadas por um fanático religioso cristão.
Racismo
A terceira denúncia criminal trata de uma professora de técnica de enfermagem que ofendeu uma aluna dizendo que, por ser negra, ela não teria “perfil e biotipo” adequados ao curso. A professora foi denunciada por injúria racial (art. 140, p. 3º, do Código Penal), crime passível de até três anos de reclusão e multa.

Médico da Chapecoense afirma que Neto tem chance de voltar a jogar




A torcida do clube marcou presença no aeroporto na chegada de Neto – Foto: WILLIAN RICARDO/MAFALDA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
O retorno do zagueiro Neto para Chapecó na noite desta quinta-feira fez a torcida comemorar a recuperação do sobrevivente do desastre aéreo com a Chapecoense e a ter esperança da volta dele aos gramados. O médico do clube, Edson Stakonski, afirmou ser possível que no futuro o defensor retorne a jogar profissionalmente, mesmo depois de ter ficado com a vida por um fio após o acidente na Colômbia.
“Ele é um lutador, porque ficou oito horas esperando para poder ser resgatado. Ele esteve muito mal há uns sete dias e em menos de uma semana estamos no Brasil. A volta ao futebol? A chance existe”, explicou o médico. Stakonski acompanhou todo o trabalho de recuperação dos quatro sobreviventes brasileiros do acidente do dia 28 de novembro e retornou para Chapecó no mesmo voo que trouxe Neto.
Segundo o médico, é difícil estipular previsão de retorno por Neto ter sobrevivido a um acidente raro, com poucos parâmetros anteriores de comparação. “Esse acidente é um trama cinético muito forte. Então, não se existe muita experiência sobre isso. De 71 mortos, somente seis sobreviveram. Isso é uma vitória muito grande”, comemorou.
Neto demonstrou medo em voltar a viajar de avião, mas durante as cerca de nove horas de traslado entre Medellín e Chapecó, incluindo uma parada em Manaus, permaneceu acordado. “Teve algumas reclamações de dores. Como ele é muito alto, quase não cabia na maca. Mas conversamos bastante, ele me contou da carreira de jogador. Foi uma viagem agradável diante de tudo o que vivemos nessa fase”, explicou. Neto foi o último sobrevivente brasileiro a voltar ao País.
O jogador de 31 anos ficará internado nos próximos dias no Hospital Unimed, em Chapecó, onde já estão o lateral Alan Ruschel e o jornalista Rafael Henzel. O goleiro Follmann será transferido para o local nos próximos dias, assim que tiver a liberação no hospital Albert Einstein, em São Paulo.
“Quando cheguei na Colômbia, no dia do acidente, tínhamos o objetivo de trazer quem estivesse vivo, e cumprimos isso. Os seis sobreviventes saíram de lá, tanto os nossos quatro, como os dois tripulantes bolivianos”, comemorou o médico, que viajou vestido com uma camisa do Atlético Nacional.
A escolha pela roupa foi para homenagear o acolhimento dos colombianos. “Eu precisava fazer uma demonstração de carinho. Tivemos muita liberdade para trabalhar no hospital. Não sei se no Brasil deixaram fazer o que nós fizemos. Espero que esse episódio reaproxime Brasil e Colômbia, porque são dois países com uma estrutura monstruosa, mas que não se enxergam”, afirmou.