Angola: 50 milhões de dólares em propina



Em Angola, a Odebrecht pagou mais de US$ 50 milhões em propina a integrantes do governo. Os repasses também foram coordenados pelo setor de Operações Estruturadas.

Após duas horas, ex-marido se entrega e libera ex-mulher e sobrinha em prédio da Vila Izabel; alvo de tiro seria o filho


Por Denise Mello e Daniela Sevieri

Local onde ex- mantém a mulher como refém está isolado pela polícia – Foto: Banda B

Um homem de 66 anos manteve a ex-mulher, de 60 anos, e uma sobrinha* como reféns por cerca de duas horas no final da tarde desta quarta-feira (21) em um apartamento na Vila Izabel, em Curitiba. A situação foi tensa no local durante a negociação para ele se entregar. Policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e também do grupo especializado em negociação de reféns negociaram a rendição. Por volta das 20 horas o homem se entregou e liberou as duas mulheres. Elas seguiram caminhando até a ambulância e não ficaram feridas. O homem foi preso.
O local, que fica na esquina da Avenida Água Verde com a Rua Guaianazes, ficou isolado e cercado por seis viaturas do Bope. Um tiro foi ouvido por moradores que. logo em seguida, chamaram a polícia.  Segundo o capitão Aguiar, do 12 Batalhão da PM, o tiro foi disparado na direção do filho do casal, desafeto do próprio pai. “Recebemos a ligação pelo 190 de que um tiro havia sido disparado no apartamento. Chegando aqui, descobrimos que o homem havia disparado contra o próprio filho, segundo o próprio rapaz informou. Ele escapou junto com outra mulher que estava no apartamento e o homem manteve a ex-mulher e a sobrinha como reféns. Ele estava armado com uma pistola”, informou.

Momento da rendição e da liberação das reféns – Banda B
Segundo vizinhos, o apartamento seria da ex-cunhada do homem que entrou no prédio. Não se sabe como ele passou pela portaria. Na casa estavam a ex-mulher, a sobrinha, o filho e outra mulher. Os dois últimos conseguiram escapar.
Os negociadores conversaram com o sequestrador através da porta. Eles estavam no corredor. Um advogado foi chamado pelo homem e ajudou na rendição. “Pedimos que ele deixasse a pistola sobre a mesa e ele fez isso. No carro dele encontramos um outra pente da arma”, disse o capitão.
Segundo o capitão, o filho do casal informou que o pai tem problemas com ele. “O filho disse que os dois brigaram e houve também uma briga com a ex-mulher do homem, que é mãe do rapaz. Ela pegou o filho e saiu de Santa Catarina. Hoje ele descobriu onde eles estavam aqui em Curitiba e veio armado”, completou o policial.
O homem foi preso, acompanhado de um advogado, e encaminhado ao Ciac-Sul.
Homem se entregou após duas horas de negociação
Durante a negociação, a informação inicial é que estariam como reféns a ex-mulher e a ex-sogra. Na rendição, foi informado que, na verdade, estavam rendidos a ex-mulher e sobrinha do casal.

República Dominicana: 92 milhões de dólares em propina



Com mais de US$ 92 milhões em propina a membros do governo da República Dominicana, a Odebrecht conseguiu interferir até no orçamento e na aprovação de empréstimos para obras de seu interesse.
Além dos países já mencionados em posts anteriores, foram identificados pagamentos a membros dos governos de Equador (US$ 33,5 milhões), Guatemala (US$ 18 milhões), México (US$ 10,5 milhões), Moçambique (US$ 900 mil), Panamá (US$ 59 milhões) e Peru (US$ 29 milhões).

Quem pediu US$ 50 milhões?



No documento do Departamento de Justiça dos EUA, sobre o esquema envolvendo a Braskem, há a descrição de um episódio cinematográfico em que determinado político cobra R$ 50 milhões para ajudar a empresa na aprovação de leis.
"Brazilian Official 4 worte down the amount 'R$50 million' on a piece of paper and slid it across the table to Braskem Employee 1."
O dinheiro foi repassado como contribuição de campanha. Em breve saberemos de quem se trata.

Marcos Valério já pode delatar



Luís Roberto Barroso mandou transferir Marcos Valério para outra cadeia.
Sua defesa alegou que só assim ele poderia concluir sua proposta de delação:
“O sentenciado (Valério) está escrevendo sua delação dentro da cela e por se tratar de um presídio de segurança máxima, diurnamente os agentes penitenciários vão nos (sic) pavilhões e dão geral em todas as celas e inclusive a do senhor Marcos Valério. Em relação à conduta dos agentes em inspecionar as celas não há problema nenhum, o problema é que os agentes quando vão à cela do requerente começam a foliar (sic) os cadernos onde estão sendo escritos anexos da delação com informações altamente sigilosas”.

Meirelles não descarta pedir que Temer vete renegociação de dívida dos Estados




Ministro Henrique Meirelles – Arquivo EBC
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, não descartou orientar o presidente Michel Temer vetar algum ponto do projeto do Regime de Recuperação Fiscal, desenhado para Estados em calamidade financeira, aprovado nesta terça-feira, 20, pelos deputados.
“É uma prerrogativa do governo, mas ainda nem recebemos o texto, temos que analisar isso com lupa”, afirmou em evento promovido pelo Fórum Permanente de Desenvolvimento Futuro 10 Paraná, em Curitiba.
Da forma como foi aprovado na Câmara, o pedido de recuperação fiscal de Estado que decretar calamidade financeira vai demorar mais tempo para ser aprovado pelo Ministério da Fazenda. A equipe econômica já avisou que não vai aprovar planos de recuperação judicial na base de “me engana que eu gosto”. O plano terá que atender as exigências do governo.
Sem as contrapartidas previstas na lei, a aprovação da recuperação deixará de ser automática e a equipe do Tesouro terá que levar mais tempo para analisar em detalhes os planos de recuperação a ser apresentado pelos Estados do Rio, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
“É igual a um processo de recuperação judicial que uma empresa faz com um juiz. A empresa tem que levar um plano que convença o juiz de que executando ele a empresa ficará viável”, disse ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, um integrante da equipe econômica.
Para a Fazenda, a Câmara dos Deputados tomou “aparentemente” a decisão mais fácil ao retirar as contrapartidas, mas acabou retardando as negociações com prejuízos para a recuperação dos próprios Estados. Isso porque a lei aprovada manteve o poder do Ministério da Fazenda de dar a recomendação favorável para o Estado entrar no Regime de Recuperação Fiscal. Esse regime procura espelhar o que acontece com a recuperação judicial das empresas. Os deputados também mantiveram a prerrogativa do presidente da República de homologar ou não a recuperação.
“Sem o plano de recuperação, a Fazenda não vai aprovar”, disse a fonte da equipe econômica. Ela acrescentou que teria sido muito melhor manter as contrapartidas.
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, avisou o governador do Rio de Janeiro, Luiz Pezão, que sem as contrapartidas o plano vai demorar mais para ser aprovado.
A pressão política é vista pela equipe econômica com naturalidade, mas a avaliação é de que o efeito de aprovar uma recuperação que seja inútil seria um desastre, comprometendo a recuperação da economia brasileira. “Se tivesse tudo na lei, seria melhor, inclusive para o Rio”, ressaltou a fonte. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O legado de Janete



A multa de 2,6 bilhões de dólares paga pela Odebrecht - a maior de uma empresa estrangeira nos Estados Unidos - ganhou destaque no Financial Times.
Janete não escapou. Narizinho também não.


Natal magro do "Seminarista"



A Lava Jato tem se concentrar em Gilberto Carvalho.
Citado em dezenas de e-mails da Odebrecht com o codinome "Seminarista", ele era o mensageiro das ordens da empreiteira para Lula.
Alexandrino Alencar despachava diretamente com ele.
Agora Gilberto Carvalho está pedido dinheiro para patrocinar uma campanha difamatória contra a Lava Jato.
Como se pode notar, o trabalho era bem mais rentável nos tempos da Odebrecht.

Governo vai mudar regras para terceirizados da administração pública federal




Medida Governo Federal afeta também terceirizados no Palácio do Planalto
O governo federal vai endurecer as regras de pagamento das empresas de trabalhadores terceirizados que prestam serviços para a administração direta, indireta e empresas estatais federais. Um mercado que movimenta R$ 45,5 bilhões por ano e emprega 1,09 milhão de terceirizados em todo o País, entre eles, seguranças, copeiros e faxineiros.
Portaria que será publicada nesta quarta-feira, 21, no Diário Oficial da União fixa uma regra única para todo o setor público federal que impede o gestor de fazer os pagamentos mensais do serviço contratado se a empresa de terceirizados não comprovar que está em dia com o recolhimento dos direitos previdenciários e trabalhistas dos seus funcionários, como FGTS, INSS, 13.º salário. O dinheiro será retido e a empresa não vai receber o pagamento.
As empresas terão também de contratar um seguro de até 5% do valor do contrato, limitado a dois meses do valor da folha. Esse seguro será usado para os casos em que as empresas não cumprem os direitos trabalhistas, por exemplo, nos casos de falência. O repasse de dinheiro para o pagamento de licença maternidade, auxílio-doença (os 15 dias iniciais em que a empresa é obrigada a arcar com o custo do trabalhador) e substituições só será feito a partir de agora no fato gerador do benefício.
Atualmente, o valor anual do contrato é dividido em 12 parcelas mensais, sem levar em conta os pagamento. Isso faz com que as empresas, em muitos casos, gastem antes o dinheiro e acabem não tendo recursos para pagar os direitos trabalhistas e previdenciários. Há muitos casos em que o próprio governo federal e as empresas estatais são acionadas na Justiça pelos trabalhadores para honrar esses compromissos assumidos pelas empresas.
Sem vínculos
Pela legislação brasileira, o setor público não pode contratar mão de obra, mas pode recorrer a serviços terceirizados. Esses trabalhadores não têm qualquer vínculo trabalhista com administração pública. O governo federal tem 90 mil empregados terceirizados a um custo anual de R$ 5,5 bilhões e as estatais federais gastam R$ 40 bilhões para empregar cerca de 1 milhão de terceirizados.
As novas regras são medidas de segurança financeira para impedir que o setor público tenham que depois arcar com esses custos que seriam das empresas. A regra geral evita também casos de contratos com desequilíbrio financeiro contaminarem outros contratos de uma mesma empresa. “Os gestores terão que fiscalizar se os direitos do trabalhador estão sendo pagos”, disse ao jornal O Estado de S. Paulo o secretário de Gestão do Ministério do Planejamento, Gleisson Rubin.
Segundo ele, há casos em que a Justiça coloca o governo como solidário em disputas trabalhistas. O secretário contou um caso emblemático que ocorreu em Brasília, em 2013, quando uma única empresa que tinha 40 contratos decretou falência deixando milhares de empregados terceirizados sem receber os direitos rescisórios do contrato de trabalhado. As mudanças, disse ele, vão dar mais segurança para os trabalhadores. “O seguro garante o pagamento quando a empresa feche e não paga”, afirmou Rubin.
A portaria que será publicada hoje também exige a abertura de uma conta vinculada em separado para os pagamentos referentes a férias, 13.º salário e rescisão contratual. A medida evita que o dinheiro para o cumprimento desses compromissos seja utilizado pela empresa para outra finalidade.

A sexta denúncia contra Lula



Na semana passada, revelamos que a Odebrecht delatou a compra do terreno do Instituto Lula.
Revelamos também que a empreiteira delatou o pagamento da reforma do sítio em Atibaia.
O primeiro fato foi confirmado hoje pela Folha de S. Paulo.
O segundo fato vai se transformar na sexta denúncia contra Lula, assim que a Lava Jato voltar das férias.
Releia aqui:

PMDB e PT novamente juntos



O socorro aos Estados caloteiros, aprovado pelos deputados ligados a Michel Temer, mostra que o impulso reformista do governo se esgotou com a PEC 241.
Diz Merval Pereira:
"A base aliada do governo, sua maior garantia de estabilidade política, mostrou ontem que também é sua maior fraqueza. Contra a orientação do líder do governo, uma maioria esmagadora nascida da união entre aliados governistas e a oposição liderada pelo PT aprovou a renegociação da dívida dos Estados sem nenhuma contrapartida.
Foram apenas 12 votos fiéis para o governo".
Se é para fazer igual ao PT, é melhor derrubar Michel Temer.

"Prédio IL" delatado pela Odebrecht



A Odebrecht delatou o pagamento de propina para comprar o Instituto Lula.
Os leitores da Folha de S. Paulo foram informados hoje daquilo que os leitores de O Antagonista sabiam desde a semana passada.
A imprensa funciona melhor assim: quando um continua a reportagem do outro.


Temer não vai reformar a Previdência




Michel Temer tenta se segurar no Palácio do Planalto prometendo uma reforma previdenciária.
Mas o pacote aprovado ontem por seus deputados, que recompensa os Estados caloteiros, mostra que ele nunca vai conseguir os votos necessários para tapar o rombo das aposentadorias.
Disse Vinicius Torres Freire, na Folha de S. Paulo:
“Foi para o lixo o projeto do governo Michel Temer de dar um destino à crise dos Estados.
A Câmara jogou fora o plano negociado de redução de deficit em troca de ajuda federal. Por 296 votos a 12. Sobrou apenas um alongamento das dívidas, também quase sem contrapartida, outra derrota federal.
Imagina na reforma da Previdência Social”.

Lava Jato até 2025



A Lava Jato só deve terminar em 2025.
Foi o que disse Rogério Arantes, da USP, para o Valor:
“A Lava Jato vai prosseguir seu caminho. Embora esteja mais próxima do vértice almejado desde o início, a operação vai se espraiar novamente com as delações dos executivos da Odebrecht. Para se ter uma ideia, o caso do mensalão durou oito anos no STF, entre a denúncia oferecida pelo procurador-geral em 2006 e o julgamento do último embargo infringente em 2014. Ceteris paribus, a Lava Jato pode facilmente superar esse tempo, chegando a 2025 ou mais. Estamos mais próximos de um terror sem fim do que de um fim com terror”.
Terror para quem?